Consumidores relataram ter sido vítimas de um golpe aplicado por uma agência de viagens com sede em Paulista, no Grande Recife. De acordo com a advogada que representa os prejudicados, mais de 100 pessoas afirmam ter sofrido prejuízos causados pela empresa JE Roteiro, Viagens e Turismo. O caso está sendo apurado pela Polícia Civil. Conforme os relatos, a empresa comercializava pacotes turísticos pela internet e, mesmo após o pagamento integral, cancelava as viagens em cima da hora, sem realizar a devolução dos valores pagos.
A promotora de eventos Elayne Aleixo contou que desembolsou R$ 1.200 para passar o réveillon em Porto de Galinhas ao lado de oito familiares. Contudo, na véspera da viagem, o representante da agência, identificado como José Eduardo Souto, informou que não havia disponibilidade de hospedagem e cancelou o passeio. Segundo Elayne, a viagem era a realização de um sonho da mãe, que desejava comemorar a virada do ano na praia de Ipojuca, no Grande Recife.
A servidora pública Neuza Braga também relatou prejuízo após contratar, junto com outras 15 amigas, uma viagem para Salvador. Ela afirmou que já havia realizado passeios de curta duração com a mesma agência anteriormente, sem enfrentar problemas. Já a secretária acadêmica Rebeka Gomes Guaraná planejava celebrar o aniversário da filha no Rio Grande do Norte e pagou R$ 760 para que ambas se hospedassem em uma suíte de hotel. No entanto, poucos dias antes da viagem, o representante da empresa comunicou que elas teriam de dividir o quarto com uma terceira pessoa desconhecida.
Segundo a advogada Karolyne Soriano, que atua na defesa das vítimas, a agência altera frequentemente seu CNPJ, o que dificulta a responsabilização legal. A advogada informou ainda que a empresa já responde a mais de 30 ações judiciais e que, mesmo nos casos em que há decisões favoráveis aos consumidores, os reembolsos não são efetuados, pois as contas associadas à agência não apresentam saldo disponível.
A JE Roteiro Viagens e Turismo, por meio de nota, informou que “os processos judiciais mencionados concentram-se em um período específico, decorrente de problemas internos enfrentados pela empresa em determinado ano”, e que a empresa “encontra-se em processo de negociação individual e regularização junto a cada consumidor impactado, adotando medidas para solucionar as demandas de forma administrativa e consensual”.


