O prefeito do Recife, João Campos, acompanhou a aula inaugural do curso de capacitação da Guarda Civil Municipal voltado ao uso de armamento letal. A iniciativa marca o começo do treinamento da primeira turma de agentes e integra a política de armamento progressivo e responsável da corporação. Nesta etapa inicial, 30 agentes participam da formação, que terá carga horária total de 100 horas-aula, com oito horas diárias, reunindo conteúdos teóricos e práticos. Ao final do processo, cerca de 250 guardas deverão ser capacitados, distribuídos em turmas de 25 a 30 participantes. A previsão é que o armamento da Guarda Municipal do Recife (GCMR) seja concluído até o fim deste ano.
Nos primeiros dias, o treinamento busca preparar os agentes para o exercício qualificado das atividades operacionais, com foco no cumprimento da legislação vigente e no domínio técnico do uso seguro e eficiente de armas curtas, como pistolas semiautomáticas. O curso contempla 25 disciplinas, abordando desde a legislação sobre o uso de armas de fogo até práticas de tiro em estande. O Recife foi a primeira capital brasileira a aderir ao programa federal Município Mais Seguro, em outubro de 2025, ocasião em que recebeu do Ministério da Justiça e Segurança Pública 125 armas de eletrochoque e 1.040 sprays incapacitantes. Como parte do programa, o município também assumiu o compromisso de desenvolver, com apoio do ministério, projetos como o de Qualificação do Uso da Força, o de Polícia Comunitária e o Programa Escuta SUSP, voltado à saúde mental dos guardas municipais.
Além da realização de avaliações psicológicas, a Prefeitura do Recife já atendeu à maior parte das exigências estabelecidas pela Polícia Federal para autorizar o porte de armas de fogo pela Guarda Municipal. Entre as medidas adotadas estão a criação de ouvidoria e corregedoria próprias e a implantação de uma armaria. Em outubro de 2025, foi publicado o decreto municipal que regulamenta o uso e o armazenamento de armas funcionais pelos guardas civis. O porte só será permitido mediante autorização da Polícia Federal e comprovação de aprovação no curso de formação e no treinamento técnico.
Os agentes também deverão se submeter anualmente ao Estágio de Qualificação Profissional (EQP), que avalia a aptidão para o manuseio do armamento. As armas e munições serão disponibilizadas em regime de cautela diária, sendo retiradas no início do turno e devolvidas ao final do serviço, diretamente na armaria do Comando da Guarda Municipal, com controle físico ou eletrônico. A liberação do equipamento dependerá de autorização do comandante da corporação, formalizada por meio de Termo de Cautela, com validade por prazo indeterminado.
O armamento das guardas municipais tem se consolidado como uma tendência no país, impulsionada pela Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social e pela criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que estimula a integração entre as forças e amplia o papel dos municípios no combate à criminalidade. No Recife, o processo de armamento da GCMR teve início em abril de 2025 e deve ser finalizado até o fim de 2026.
A atuação da corporação está sendo estruturada a partir do conceito de guarda comunitária, priorizando a prevenção da violência, o conhecimento do território e a aproximação com a população. Todos os agentes armados também utilizarão câmeras corporais (bodycams), ferramenta que assegura maior transparência nas ações e contribui para a proteção tanto dos profissionais quanto dos cidadãos.
Paralelamente, a capital pernambucana desenvolve ações de caráter social e urbano voltadas à redução da criminalidade, como os programas Comvida, Rede Compaz, Rede de Bibliotecas pela Paz e Praças da Infância, além de investimentos em iluminação pública, ordenamento urbano, videomonitoramento e iniciativas de urbanismo social.


