O deputado estadual Junior Matuto (PRD) respondeu, nesta segunda-feira (19), às declarações do deputado Antônio Moraes (PP), que acusou a oposição de tentar tirar proveito político do encerramento das atividades da empresa Logo Caruaruense. Para Matuto, a tentativa de desqualificar o debate ignora o ponto central da discussão: a responsabilidade do Governo do Estado pela fiscalização de uma empresa pertencente à família da governadora Raquel Lyra.
Segundo o parlamentar, “tirar proveito político não é cobrar explicações, mas utilizar influência e dinheiro público para manter uma empresa da própria família funcionando de forma irregular”. Para ele, a discussão não é sobre o fechamento da empresa, mas sobre o período em que ela operou sem fiscalização adequada. “O que está sendo questionado é simples: a empresa da família da governadora funcionou por três anos sem vistoria, sem cumprir exigências legais, sob responsabilidade direta do Governo do Estado. Querem que a gente repita o erro dela e passe mais três anos fingindo que nada aconteceu?”, afirmou.
*ENTENDA O CASO* – Reportagens divulgadas por veículos nacionais e estaduais apontaram que a empresa Logo Caruaruense, pertencente à família da governadora Raquel Lyra, operou por anos no transporte intermunicipal sem cumprir exigências legais, como vistorias obrigatórias, além de apresentar frota antiga e débitos administrativos. A fiscalização do sistema é atribuição do Governo de Pernambuco, por meio da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI).
Após a repercussão das denúncias, a empresa anunciou a entrega das linhas ao Estado. A medida foi interpretada por parlamentares como uma admissão da gravidade do problema, uma vez que não houve explicações convincentes sobre a ausência de fiscalização durante todo o período.
O deputado reforçou que a cobrança não tem caráter pessoal, mas institucional. “Das duas uma: ou a governadora admite que foi incompetente e colocou a vida do povo pernambucano em risco ao não fiscalizar a empresa da própria família, ou precisa explicar por que fez vista grossa durante três anos. Quem deveria fiscalizar e não fiscalizou foi o Governo do Estado. Se fosse o cidadão comum, já teria Detran, fiscalização e punição””, disse.
Matuto concluiu afirmando que a oposição seguirá cobrando esclarecimentos. “Quem disse que ia cuidar pessoalmente do transporte intermunicipal foi a governadora. Quem deve responder à Assembleia é ela. O povo de Pernambuco não é ingênuo e não aceita silêncio quando vidas foram colocadas em risco”, completou.


