Coluna do domingo | Uma eleição, uma pedra no sapato para cada

Quem sai ganhando com um impeachment?

Por Lucas Arruda

Busque na memória o momento em que a palavra impeachment esteve tão presente na política pernambucana quanto hoje. Encontrou? Pois é, estamos diante de um fato inédito. São onze letras que incomodam no caminho dos dois principais nomes na corrida eleitoral ao Governo de Pernambuco – Raquel e João – por motivos distintos. Por agora, o ponto central é a consequência. Quem sai ganhando com um impeachment?

“Propor (um impeachment), qualquer parlamentar pode propor”. A frase é do cientista político e advogado especialista em direito eleitoral, Felipe Ferreira Lima, concedida especialmente para a estreia desta Coluna. Mas Felipe completa: “é preciso cumprir as exigências legais que estão postas”, afinal, trata-se de um processo jurídico – ainda que muitos não percebam isso. Inclusive, nas casas legislativas.

O Brasil conhece bem o peso de um processo de impeachment. Foram dois desde que nos afastamos do cálice da Ditadura Militar, e o último, sem o menor medo de dizer, rachou o país ao meio. É até aqui que eu gostaria de trazer você, caro leitor.

Não há ganho político em um processo de impeachment, independente do lado que ele atinge diretamente. Todos perdem. Em uma democracia ideal, um impeachment jamais poderia ser utilizado como arma no jogo eleitoral. Não é sobre Raquel, João, Dilma, Collor ou qualquer outra liderança. É sobre prezar por um sistema democrático que já é cheio de falhas. Foi no afã de uma solução rápida que caímos no buraco de onde não saímos. Precisamos cair em outro?

PROJEÇÃO – Depois do anúncio de filiação do deputado estadual Renato Antunes, o que já estava precificado, o NOVO Pernambuco projeta chegar forte às eleições em outubro, principalmente para Alepe e Câmara dos Deputados. Hoje, recebe o governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência, Romeu Zema, para esquentar as turbinas no Encontro Estadual. À Coluna, o presidente Tecio Teles reforçou a confiança nos quadros da legenda e declarou: “vamos oferecer para os pernambucanos opções de qualidade”.

SEGURANÇA – Ponto crítico para avaliação do governo e matéria de peso nas eleições, a Secretaria de Defesa Social tem tentado não deixar pontas soltas. Politicamente, sabe que não pode. Em resposta à grave agressão sofrida por uma mulher no Mercadão do Cabo de Santo Agostinho, e depois de o prefeito Lula Cabral (PSD) dizer que se tratava da “atuação de milícia”, a resposta da PCPE ao caso chamou a atenção: “sob INTENSA investigação”. Posição marcada.

COLUNA – Caro leitor, nos conhecemos de outras colunas, mas faço questão de me apresentar nesta estreia. Sou Lucas Arruda e conto com a sua leitura e críticas ao longo dos próximos domingos de um ano eleitoral que promete. Por essência, sou um repórter e, por isso, lhe garanto: não sei dizer nada por dizer. Apuração, compromisso com a notícia e, como sempre prezou Ricardo Boechat, uma pitada de sarcasmo quando possível. Se eu conseguir te causar incômodo para refletir, estarei feliz. Ao mestre e amigo Elielson Lima, muito obrigado pela confiança!

FRASE DA SEMANA: “Troco de partido, mas não de lado. Sigo fiel aos meus ideais e valores”, escreveu o ex-ministro Gilson Machado Neto, em carta, após pedir desfiliação do PL.

RÁPIDAS

CONVITE – O vereador do Recife Rinaldo Júnior (PSB) aceitou o convite de João Campos, presidente nacional do partido, para ser pré-candidato a deputado federal. Quadro importante na Câmara do Recife, Rinaldo promete defender os trabalhadores em Brasília. João fala em fortalecimento.

BOLA DENTRO – A posição contundente de Lula, em Maceió, sobre o escândalo do Banco Master.

BOLA FORA – Ainda no Caso Master, a apequenada nota de Edson Fachin sobre a atuação de Dias Tofolli. Quis apaziguar, manteve o desconforto no STF.

PINGA-FOGO: Onde fica Eduardo Moura nos planos do NOVO?

Lucas Arruda – Jornalista
Contato: dearrudanascimento@gmail.com

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