Por 25 a 9, Câmara do Recife rejeita pedido de impeachment contra João Campos

A vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) se absteve, enquanto que os vereadores Agora é Rubem (PSB) e Flávia de Nadegi (PV) não registraram voto

A Câmara Municipal do Recife rejeitou, por 25 votos a 9, o pedido de impeachment contra o prefeito do Recife, João Campos (PSB), por alteração no resultado do concurso público para a Procuradoria-Geral do Município. A vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) se absteve, enquanto que os vereadores Agora é Rubem (PSB) e Flávia de Nadegi (PV) não registraram voto. O pedido havia sido protocolado pelo vereador Eduardo Moura (NOVO) e precisava de maioria simples, ou seja, que 19 dos 37 vereadores fossem favoráveis para ter seguimento na Casa.

A proposição ocorreu com base na nomeação de um candidato que, inicialmente, havia ficado na 63ª posição no certame, realizado em 2022. Dois anos depois da publicação do resultado, ele pediu reclassificação para vagas afirmativas após ter recebido o laudo comprobatório de Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que foi acatado e levou à sua nomeação em 23 de dezembro de 2025.

O caso foi repercutido por parlamentares de oposição na internet, junto à informação de que o candidato é filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO) e de um juiz do Tribunal de Justiça de  Pernambuco (TJPE). A nomeação foi revogada pelo prefeito João Campos (PSB) em 31 de dezembro, em meio à atribuição de uso político.

O líder do Governo na Câmara, vereador Samuel Salazar (MDB) afirmou que  o pedido de impeachment era vazio por nenhum crime ter sido cometido pelo prefeito João Campos (PSB).

“O prefeito não passou ninguém na frente (para nomeação). Ele nomeou um candidato PCD que estava laudado para isso. Há uma discussão em relação a se ele merecia ou não ter sido requalificado como PCD. Mas o prefeito não tem nenhuma ingerência sobre preferir quem nomeou ou quem deixou de nomear. O que foi feito aqui foi um pedido de impeachment vazio, apenas no intuito de tentar manchar a imagem do prefeito”, declarou.

À época da repercussão do caso, a prefeitura do Recife havia se posicionado informando se tratar de uma “controvérsia estritamente jurídica”, e condenando o que foi classificado como tentativa de exploração de uma disputa entre dois candidatos PCDs.

Autor do pedido de impeachment, o vereador Eduardo Moura (NOVO) declarou que, apesar da rejeição, a oposição espera entrar com um mandado de segurança para anular a votação por possíveis descumprimentos de ritos. A instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) também está nos planos.

“Quando você passa uma pessoa na frente (de outra) em um concurso, você está descumprindo a lei, que é o edital. Então, você entra na lei de improbidade e de crime de responsabilidade. Não há o que discutir com relação à parte jurídica. Mas é de se esperar, que se tente descredibilizar o pedido. Então, vamos agora para Justiça, ir atrás do que tem que ser feito”, prometeu.

Por questões regimentais, o vereador Eduardo Moura (NOVO) não pôde votar. Por isso, tomou posse para sessão o suplente George Bastos (NOVO), que foi duramente criticado pelos parlamentares e pelo público presente nas galerias após a divulgação de um áudio – pelo líder do Governo, Samuel Salazar (MDB) – em que ele atribui a classificação de “mundiça” aos presentes na Casa de José Mariano para acompanhar a sessão. Sobre a fala do seu suplente, Eduardo Moura (NOVO) disse que não concorda e que ela foi “infeliz”.

Para leitura do pedido de impeachment na sessão desta terça-feira (3), a Câmara precisou reforçar a segurança. Apesar de dois vereadores não terem registrado voto, todos os 37 estiveram presentes na Câmara Municipal.

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