Carnaval deve gerar movimentação de R$ 10,8 bilhões na economia de Pernambuco

Valor representa retração de 1,3% em relação a fevereiro de 2025

Em função das celebrações do Carnaval, o mês de fevereiro de 2026 deverá gerar uma movimentação estimada em R$ 10,79 bilhões na economia de Pernambuco, considerando apenas a circulação de mercadorias. A estimativa foi elaborada pelo Hub de Dados do Comércio da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE). Esse montante corresponde a uma queda de 1,3% em comparação com fevereiro de 2025, sinalizando um cenário macroeconômico mais restritivo ao consumo das famílias. Ainda assim, o Carnaval permanece como um fator relevante para a atividade econômica estadual ao longo do mês.

A projeção indica, ainda, uma arrecadação aproximada de R$ 2,2 bilhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) durante fevereiro de 2026, com valores deflacionados e expressos a preços de dezembro de 2025. A avaliação da série histórica entre 2013 e 2026 revela uma trajetória de crescimento real da arrecadação ao longo do tempo, marcada por flutuações sazonais recorrentes e por maior instabilidade a partir de 2020, em decorrência dos efeitos econômicos da pandemia. O padrão sazonal observado demonstra que os meses em que ocorre o Carnaval, em geral, apresentam desempenho superior ou compatível com a média mensal, enquanto os períodos subsequentes tendem a registrar uma desaceleração da atividade econômica. Esse comportamento recorrente desde 2013 reforça a interpretação de que o impacto do Carnaval é expressivo, porém concentrado no curto prazo, especialmente nos setores de serviços e nas atividades diretamente ligadas ao período festivo.

Para 2026, estima-se que o Carnaval acrescente cerca de R$ 141,8 milhões exclusivamente em mercadorias à economia pernambucana ao longo dos quatro dias de festa. Esse valor corresponde a 1,3% da movimentação total prevista para fevereiro e representa um crescimento de 1,6% em relação ao Carnaval de 2025, considerando um intervalo de confiança de 95%, que varia entre R$ 119,1 milhões e R$ 164,5 milhões. As estimativas foram obtidas a partir de um modelo econométrico aplicado a séries temporais mensais, com base nos dados históricos de arrecadação de ICMS de Pernambuco entre 2013 e 2025, devidamente deflacionados. O modelo contempla variáveis explicativas como a alíquota média efetiva, a massa salarial real, o Índice de Confiança das Famílias (ICF), os efeitos sazonais do Carnaval e do período pós-Carnaval, além de controles para choques extraordinários, como a pandemia, e ajustes relacionados ao número de dias de cada mês.

O modelo apresentou coeficiente de determinação (R²) de 0,72 e erro médio percentual (MAPE) de 4,85%, com desempenho mais robusto nos meses de Carnaval. Os testes estatísticos apontam significância global e indicam que o modelo é adequado para fins de projeção econômica, respeitadas as limitações inerentes às análises fundamentadas em séries históricas.

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