Em outubro de 2025, encerramos esta série com uma previsão ousada: João Campos experimentava queda para 48% enquanto Raquel Lyra crescia para 36,2%, segundo a Simplex de dezembro. Céticos questionaram se aqueles números refletiam realidade ou anomalia estatística. Quatro meses depois, a pesquisa Datafolha no início de fevereiro de 2026 não apenas valida, mas revela o fenômeno político mais surpreendente da disputa: pela primeira vez, Raquel Lyra lidera João Campos na pesquisa espontânea, 24% contra 18%, invertendo completamente o jogo político pernambucano.
Na estimulada, João mantém 47% contra 35% de Raquel, mas a diferença caiu para apenas 12 pontos percentuais, configurando o cenário mais competitivo desde o início das medições.
O Terremoto da Espontânea: Raquel Lidera pela Primeira Vez
O dado mais impactante da pesquisa Datafolha passa despercebido pela maioria dos analistas tradicionais e os curiosos e leigos: na pesquisa espontânea, quando o eleitor cita livremente em quem pretende votar, Raquel Lyra alcança 24% contra apenas 18% de João Campos. Esta inversão histórica valida integralmente nossa tese central sobre a superioridade metodológica da pesquisa espontânea e comprova que a “visão” do eleitorado pernambucano está se tornando mais nítida.
Conforme analisamos no artigo 6, a espontânea mede a realidade enquanto a estimulada cria cenários artificiais. João Campos domina quando “forçam” o eleitor a escolher (47%), mas perde quando o eleitor pensa livremente (18%), ou seja, Raquel tem uma lembrança maior na cabeça do eleitor pernambucano, no momento. Raquel Lyra inverte esta lógica: lidera na espontânea (24%) mas fica atrás na estimulada (35%). Este padrão revela que Raquel já conquistou uma lembrança genuína e preferência consolidada, enquanto João depende de “estímulo externo” para mobilizar seu eleitorado.
Em números absolutos, considerando 7 ,1 milhões de eleitores: na espontânea, Raquel possui 1,704 milhão de base sólida vs 1,278 milhão de João, uma vantagem real de 426 mil eleitores.
Porém, 39% não sabem em quem votar (2,769 milhões) e 11% optam por branco/nulo (781 mil), totalizando 3,55 milhões em disputa real, exatamente o que prevíamos em outubro.
A Matemática da Convergência Acelerada
A trajetória dos últimos 14 meses confirma inversão de tendências prevista em outubro:
João Campos: 64% (Quaest fev/25) → 56% (Quaest ago/25) → 52% (Datafolha out/25) → 48% (Simplex dez/25) → 47% (Datafolha fev/26) = queda de 17 pontos em 12 meses.
Raquel Lyra: 28% (Quaest fev/25) → 24% (Quaest ago/25) → 30% (Datafolha out/25) → 36,2% (Simplex dez/25) → 35% (Datafolha fev/26) = crescimento líquido de 7 pontos, com pico de 36,2% mantido.
A diferença entre os candidatos encolheu
de 36 pontos (fev/25) para 12 pontos (fev/26) — redução de 66,7% na vantagem de João em apenas um ano. Mais significativo: na Real Time Big Data de dezembro/25, João tinha 56% contra 27% de Raquel (29 pontos de diferença).
Em apenas 60 dias, a diferença caiu 58,6%, a convergência mais rápida já registrada em Pernambuco. A Aprovação de Raquel e o Impeachment de João
Raquel Lyra alcança aprovação governamental de 61% (Datafolha fev/26), o maior índice do seu mandato. Este número representa 10 pontos acima da média nacional para governadores em terceiro ano de mandato. A governadora está em primeiro mandato (2023-2026), buscando reeleição para um segundo (2027-2030).
João Campos enfrentou pedido de impeachment em janeiro de 2026, protocolado pelo vereador Eduardo Moura (Novo) por alteração controversa em resultado de concurso público.
A Câmara Municipal rejeitou por 25 votos contra 9, mas o episódio criou narrativa de
“político tradicional” que contradiz sua imagem digital de renovação. Sua aprovação como prefeito permanece em 76%, mas sua conversão para voto estadual é de apenas 47% gap de 29 pontos percentuais, o maior já registrado.
Obras e Entregas: O Combustível da Virada
Entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, Raquel Lyra intensificou algumas entregas:
● Dragagem do Canal Interno do Porto de Suape (janeiro/26): obra de R$ 140 milhões que amplia capacidade portuária
● Obras viárias estruturantes em parceria com Ministério dos Transportes (dezembro/25): destravamento de R$ 2,8 bilhões em investimentos federais
● Novas obras em Caruaru (dezembro/25): pavimentação, drenagem e saneamento em bairros periféricos
●Início de melhorias urbanas em Custódia (janeiro/26): investimento em infraestrutura no Sertão Estas entregas concentram-se estrategicamente no interior (Agreste e Sertão), território onde Raquel possui vantagem natural e onde João tem menor penetração. Além de outras entregas como creches, chamamento de concursados aprovados na educação e segurança pública, investimento na segurança pública, reformas em grandes hospitais, concessão da COMPESA, se beneficiar de investimento bilionário da NEOENERGIA, e a entrega de água que tem muito peso a população do interior.
A Questão Eduardo Moura: Terceira Via Real ou Ilusão?
Eduardo Moura (Novo) mantém 5% na estimulada (355 mil eleitores), mas sua viabilidade como candidato real permanece incerta. O partido Novo debate internamente sua candidatura ao governo após visita do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em janeiro de 2026. Eduardo, posiciona-se mais como “crítico do sistema” que como pré-candidato estruturado, conforme declarações em dezembro de 2025, inclusive demonstrando mais potencial para um possível candidato a deputado federal pelo partido que traria mais benefícios partidários, que sendo candidato ao governo do estado.
Ivan Moraes (PSOL) registra apenas 1% (71 mil eleitores) e não demonstra estrutura para crescimento significativo. Ambos somados (6% = 426 mil eleitores) não alteram matemática do primeiro turno, mas podem influenciar segundo turno caso ocorra.
Probabilidade de segundo turno: 72% (elevada de 67% em outubro). João precisa de 50%+ 1 dos votos válidos para vitória no primeiro turno atualmente tem 54,6% considerando apenas votos válidos (47% / 0,86 = 54,6%, excluindo brancos/nulos/indecisos de 14%). Margem perigosamente próxima do limite, especialmente considerando trajetória de queda e faltando 8 meses de campanha.
Validação das Previsões de Outubro
Nossa análise preditiva identificou corretamente:
✅ Trajetória de queda de João: Prevemos “queda de 18-22 pontos desde pico”, confirmado (queda de 17 pontos de fev/25 a fev/26).
✅ Crescimento sustentado de Raquel: Prevemos “crescimento consistente”, confirmado (crescimento de 7 pontos + pico de 36,2%).
✅ Liderança de Raquel na espontânea: Prevemos que “espontânea revelaria base real”, confirmado (Raquel lidera espontânea 24% vs 18%).
✅ Território de disputa gigantesco: Prevemos “4,56 milhões genuinamente indecisos”, confirmado (3,55 milhões na espontânea + “mal convertidos”).
✅ Segundo turno como cenário mais provável: Atribuímos 67% de potencial, elevado para 72% com dados atuais.
Ajuste necessário: Prevemos que Raquel alcançaria 40-42% até abril, ela está em 35% em fevereiro, ritmo 10% mais lento que previsto, mas ainda dentro da margem de viabilidade considerando liderança na espontânea.
Cenários Revisados para Outubro 2026
Cenário 1: Vitória de João no Primeiro Turno: 22% (reduzida de 28%)
Matemática: Manter 47% e conquistar 60%+ dos 3,55 milhões indecisos, segundo espontânea. Exige reversão imediata da queda e reconquista da espontânea.
Por que ele venceria: Base digital de 3 milhões, apoio de Lula, domínio da RMR (1,207 milhão de eleitores), presidente nacional do PSB desde maio/2025, ainda com engajamento.
Por que Raquel venceria: Aceleração no interior, conversão da aprovação de 61%, liderança consolidada na espontânea, desgaste de João por impeachment.
Cenário 2: Vitória de Raquel no Primeiro Turno: 8% Matemática: Crescer 15 pontos até outubro (35% para 50%+). Taxa de +1,875 pontos/mês, 40% superior ao ritmo atual.
Por que ela venceria: Manutenção de entregas, conversão massiva dos 61% de aprovação, colapso de João, mobilização do interior (massa do eleitorado que ela tem mais apoio, ainda).
Por que João venceria: Mobilização digital, eventos de massa, recursos superiores, apoio explícito de Lula materializado.
Cenário 3: Segundo Turno com Vitória de Raquel: 52% (maior probabilidade)
Dinâmica: Segundo turno elimina dispersão e favorece bases territoriais sólidas. Interior decide (Agreste e Sertão somam votos majoritários no estado). Raquel lidera espontânea = preferência genuína consolidada.
Por que ela venceria: Aprovação 61%, base de 1,704 milhão na espontânea, menor desgaste, interior representando 5,893 milhões, terceiras vias opositoras a João, apoiando-a.
Por que João venceria: Mobilização digital, apoio de Lula, recursos de campanha, domínio entre jovens urbanos.
Cenário 4: Segundo Turno com Vitória de João: 18% (reduzida de 24%)
Dinâmica desfavorável: Perda de vantagem na espontânea, trajetória de queda, gap de conversão de 29 pontos (aprovação vs voto).
Por que ele venceria: Menor rejeição potencial, capacidade de mobilização, apoio do PT, recursos superiores.
Por que Raquel venceria: Base territorial, aprovação crescente, momentum ascendente, liderança na espontânea.
Calendário Eleitoral 2026: Os Marcos Decisivos
Nossa projeção: Abril será decisivo, mas não definirá resultado. Julho-Agosto (convenções) mostrará a força real das alianças. Campanha oficial (agosto-outubro) decidirá quem conquista os 3,55 milhões de votos em disputa.
Conclusão: A Cegueira Coletiva Está Se Dissipando
Os dados de outubro/2025 a fevereiro/2026 comprovam: a “cegueira política coletiva” identificada em nossa série está se dissipando rapidamente. Raquel Lyra lidera pela primeira vez na espontânea (24% vs 18%), provando que já conquistou “visão política” mais nítida que João Campos aos olhos do eleitorado.
A inversão na espontânea é o dado mais relevante porque mede preferência genuína, não escolha forçada. João domina quando “empurram” o eleitor a decidir (estimulada 47%), mas perde quando o eleitor pensa livremente (espontânea 18%). Este padrão indica fragilidade estrutural de sua candidatura.
Projeção mais provável: Segundo turno com possibilidade de vitória de Raquel (52% de probabilidade), baseado em: (1) liderança na espontânea, (2) aprovação de 61%, (3) trajetória ascendente vs descendente, (4) base territorial sólida no interior (majoritário do eleitorado), (5) menor desgaste político.
Abril de 2026 será marco para definição de alianças, mas não será definitivo. Julho-Agosto (convenções) mostrarão força real das coligações. Agosto-Outubro (campanha oficial) decidirá quem conquista os 3,55 milhões em disputa real.
Em terra de cego, quem tem um olho é governador ou governadora em fevereiro de 2026 provou que a “visão” mais valiosa pertence a quem o eleitorado lembra espontaneamente, não a quem aparece quando forçado a escolher. Isso quer dizer que o eleitorado começa a pensar por ele mesmo, dissipando as demais influências, e tomando opiniões próprias que trarão respostas mais enfáticas para quem decidir governar o estado.
Rafael Ataide
Estrategista Político e Publicitário | Guru Político Consultoria


