Estado anuncia distribuição de quase  5 mil doses de nova vacina contra bronquiolite no SUS

Imunizante é indicado para bebês prematuros e crianças com idade inferior a dois anos

A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) deu início à entrega de 4.976 doses do anticorpo monoclonal nirsevimabe para as unidades de saúde do estado. O medicamento, indicado para a prevenção do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) — principal causador da bronquiolite —, passa a integrar o rol de imunizantes ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Administrado por via intramuscular, o nirsevimabe é destinado exclusivamente a bebês prematuros, com idade gestacional inferior a 36 semanas e seis dias, e a crianças com menos de dois anos (até 1 ano, 11 meses e 29 dias) que apresentem comorbidades previstas nos critérios de elegibilidade.

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, as doses encaminhadas ao Programa Estadual de Imunizações de Pernambuco (PEI-PE) fazem parte de um total de 300 mil unidades distribuídas em todo o território nacional. O ministro ressaltou ainda que, na rede privada, o custo médio do imunizante gira em torno de R$ 2,5 mil.

A SES-PE informa que o anticorpo monoclonal estará disponível ao longo de todo o ano na rede pública para crianças prematuras, independentemente do peso ao nascer ou da vacinação materna prévia contra o VSR.

No caso de crianças com menos de dois anos, a indicação do uso do nirsevimabe contempla aquelas diagnosticadas com cardiopatia congênita, imunodeficiências graves (congênitas ou adquiridas), fibrose cística, malformações congênitas das vias aéreas, doença pulmonar crônica (broncodisplasia), Síndrome de Down ou doenças neuromusculares. Para esse grupo, a aplicação ocorrerá durante o período sazonal do vírus, que se estende de fevereiro a agosto.

O Ministério da Saúde também orienta que os municípios realizem a busca ativa de crianças elegíveis, incluindo prematuros e aquelas que já apresentam as comorbidades indicadas para a imunização.

Bebês prematuros nascidos após agosto de 2025 deverão receber o anticorpo no início da sazonalidade correspondente, desde que tenham menos de seis meses de vida. Crianças com comorbidades e idade inferior a 24 meses também serão incluídas na estratégia de resgate, desde que não tenham sido previamente imunizadas com palivizumabe. A distribuição do nirsevimabe será priorizada em maternidades, leitos obstétricos conveniados ao SUS, Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIEs) e unidades da rede pública de saúde.

Nos municípios que ainda não informaram seus serviços de referência à SES-PE, a população deve procurar o Programa Municipal de Imunização para obter orientações atualizadas sobre o acesso ao medicamento.

As maternidades ficarão responsáveis pela aplicação do imunobiológico em recém-nascidos internados nessas unidades, enquanto os demais serviços de saúde atenderão crianças prematuras e com comorbidades incluídas na estratégia de resgate.

O nirsevimabe passa a integrar as ações de enfrentamento ao VSR, iniciadas em dezembro do ano passado com a introdução da vacina recombinante, administrada em dose única e indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gestação, sem restrição de idade, com o objetivo de proteger bebês nos primeiros seis meses de vida.

Até então, o palivizumabe era a única alternativa disponível no SUS para a prevenção do VSR. Segundo a SES-PE, a estratégia do Ministério da Saúde prevê a substituição progressiva desse medicamento pelo nirsevimabe. No entanto, crianças que já tenham iniciado o esquema com palivizumabe devem concluir o tratamento com o mesmo produto, que é composto por cinco doses.

A disponibilização do nirsevimabe no SUS contribui para fortalecer o enfrentamento da sazonalidade dos vírus respiratórios, que ocorre entre fevereiro ou março e agosto, período que costuma aumentar a demanda por leitos especializados e cuidados intensivos.

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