Relação Brasil-China: confira a entrevista com o CEO do LIDE China, José Ricardo

A relação diplomática entre Brasil e China completou 50 anos em 2024, a partir da celebração de meio século da abertura das embaixadas em Pequim e Brasília. Somente em 2025, o comércio entre os dois países alcançou um novo recorde: US$ 100 bilhões em receita. Sobre o assunto, o jornalista e editor do Blog, Elielson […]

A relação diplomática entre Brasil e China completou 50 anos em 2024, a partir da celebração de meio século da abertura das embaixadas em Pequim e Brasília. Somente em 2025, o comércio entre os dois países alcançou um novo recorde: US$ 100 bilhões em receita. Sobre o assunto, o jornalista e editor do Blog, Elielson Lima, conversou com José Ricardo, CEO do LIDE China, plataforma de negócios e networking entre líderes empresariais e autoridades brasileiras e chinesas.

Elielson Lima: Como a gente consegue explicar a evolução, com o passar do tempo, dessa relação Brasil-China?

José Ricardo: A relação Brasil-China vem passando por uma transformação enorme. Deixou de ser uma relação bilateral para ser uma relação com uma dimensão sistêmica. Porque a gente fala da relação Brasil-China sobre o aspecto diplomático, político e econômico. Se pegarmos, por exemplo, os números em economia, na parte de trade, de importação e exportação, nos anos 2000, a relação Brasil-China era de US$ 2.3 bilhões. Em 2020, 20 anos depois, foi para US$ 100 bilhões. É o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009. O Brasil continua sendo um grande exportador de commodities, mas tem melhorado e implementado a tecnologia. Mas estamos falando basicamente de minério de ferro, soja, petróleo, celulose e proteínas animais. Temos importado produtos com maior valor agregado da China, máquinas, equipamentos e tecnologias. Só que o processo dessa relação bilateral China-Brasil está passando por um processo de sofisticação, dada a questão da transição energética e a economia digital. Então, é nítido que hoje a pauta Brasil-China é uma pauta lastreada em inovação e lastreada em sustentabilidade. Por isso temos visto o ingresso cada vez maior de investimento chinês em telecomunicação 5G, com drones com o e-commerce. E além dessas tecnologias, a gente não pode deixar de falar sobre a indústria dos veículos elétricos. Só no ano passado foram nove indústrias chinesas automotivas que ingressaram no país, destacando que apenas duas, até o presente momento, abriram fábrica. Mas o apetite do chinês aqui com o Brasil é enorme e o chinês está dando recado que veio para ficar. Se falarmos sobre o aspecto da diplomacia e, é claro, da política, Brasil e China são partes integrantes dos BRICS, do G20. Tem uma agenda comum de defesa do multilateral, uma defesa dos interesses do Sul Global, combate ao financiamento climático, à crise climática. Então a gente tem visto uma relação ganha-ganha de longo prazo e com um aspecto de positividade dessa relação entre Brasil e China. É nítido que hoje, um político ou empresário brasileiro que está antenado e atualizado com as novas tendências, tem ido à China, no mínimo, uma vez nos últimos três anos.

E.L: Ricardo, vamos falar um pouco do LIDE China. Qual é o papel desse importante órgão? Inclusive, com pernambucanos já engatilhados para ir à China.

J.R: Olha, o LIDE China é uma das unidades internacionais do grupo LIDE, grupo de líderes empresariais que provoca essa relação, esse fortalecimento da relação e do networking entre autoridades e empresários, como forma de melhorar o nosso ambiente aqui no Brasil. Somos responsáveis por sermos elementos integrantes dessa ponte entre o Brasil e a China. E é por isso que nós temos visto cada vez mais um aumento do interesse do empresariado nessa relação e isso é feito através das missões. O LIDE China organiza uma série de missões. Fomos muito felizes inclusive, de organizar, recentemente, uma missão de saúde com o empresariado do LIDE Pernambuco. Vamos fazer, melhor dizendo, uma missão de construção com o LIDE Pernambuco em abril de 2026, e temos desenhado missões das mais diversas possíveis. Vidros industriais, internet industrial, painéis solares, mídia, publicidade, marketing, propaganda, divulgação. A China tem tudo. O importante é a gente estudar, fazer a curadoria e descobrir quais são os clusters. Mas é inevitável que, se você quiser ficar antenado, independentemente do seu segmento econômico, você precisa estar na China, precisa vivenciar a China e fazer esse intercâmbio nessa relação empresarial com o chinês.

E.L: O jornalista sempre quer saber do futuro e eu queria saber, na sua opinião, evidentemente, quais serão os próximos passos para essa relação Brasil-China.

J.R: Sem dúvida alguma, eu vejo um aumento substancial do empresariado brasileiro, visitando não só as indústrias e as empresas chinesas, mas participando cada vez mais em feiras, exibições, congressos na China, como do outro lado também. Os chineses vindo para cá. O governo chinês autorizou o cidadão brasileiro a ficar até 30 dias na China. O Brasil acabou de comunicar que também vai facilitar o ingresso do chinês para turismo e negócios aqui no Brasil. E falando de futurologia, eu vejoa  inteligência artificial como algo inevitável. A questão dos robôs humanoides, que tem desenvolvido cada vez mais atividades de mão de obra e que exige menos conhecimento, menos técnica, e é claro, toda a questão dos drones. Esses robôs táxis que estão começando a ser uma febre lá na China. A tecnologia está aqui, a tecnologia está na nossa frente, e é claro, a gente precisa aproveitar essa boa relação nessa dinâmica sino-brasileira para implementar as melhores práticas, tropicalizando as soluções em prol do desenvolvimento do nosso país.

E.L: Para encerrar esta conversa, vamos falar de economia. Temos o BRICS, você bem citou a relação do Brasil e da China com outros países. Qual é o papel do BRICS nesse desenvolvimento econômico do Sul Global? 

J.R: Brasil e China têm desenvolvido, através dessa interface, dessas organizações internacionais como o BRICS, uma reforma das instituições tradicionais. E nessa reforma, têm o resgate do multilateralismo e a reforma da governança global. Quando falamos do Sul Global, nós falamos de uma nova voz. Hoje, Brasil e China tem musculatura para ditar quais são os interesses dos nossos povos. Então esse é um momento muito feliz e muito oportuno para que tanto o Brasil como a China tenham a sua voz, a sua musculatura para definir o que o povo brasileiro e o povo chinês querem, falando também de Rússia, de Índia, África do Sul e outros países integrantes dessas associações. Então nós estamos no momento extremamente relevante, fundamental para aprimorarmos essa relação e de novo desenvolvermos o nosso projeto de país.

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