Após polêmicas, Olinda regulamenta uso de equipamentos de som no Carnaval; entenda

Nova norma prevê multa de R$ 10 mil para grupos que impeçam ou dificultem a passagem de agremiações tradicionais

Após sucessivas controvérsias envolvendo grupos de samba e o uso de “paredões” e carros de som no Sítio Histórico de Olinda, a prefeitura publicou um decreto que estabelece regras para a utilização de equipamentos sonoros durante a folia de 2026.

A nova norma prevê multa de R$ 10 mil para grupos que impeçam ou dificultem a passagem de agremiações tradicionais, como troças, blocos de frevo, maracatus e afoxés. Apesar disso, o texto mantém a autorização para carros de som no Sítio Histórico e não menciona os cordões de isolamento utilizados por baterias — prática alvo de críticas por parte de músicos e representantes de blocos tradicionais. O debate ganhou força após manifestações de maestros de importantes orquestras de frevo da cidade.

Na avaliação desses regentes, que atuam há décadas no Carnaval olindense, a circulação de grupos com carros de som e áreas isoladas compromete a mobilidade e aumenta o risco de acidentes nas ladeiras e ruas estreitas do centro histórico. Eles afirmam ainda que agremiações e camarotes que utilizam som mecânico desrespeitam a Lei Municipal que limita o volume a 60 decibéis pela manhã, 65 à tarde e 50 à noite em áreas residenciais.

A Associação das Agremiações de Frevo de Olinda divulgou carta aberta criticando a presença de baterias de samba com amplificação potente. Segundo o texto, além de descaracterizar o ambiente sonoro típico do carnaval olindense, a prática interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais.

Também entrou em pauta a necessidade de organização do fluxo de grupos no Sítio Histórico, área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reconhecida como patrimônio mundial pela Unesco.

Em meio à repercussão, a Bateria Cabulosa, um dos grupos que desfilam na região, informou que optaria por realizar seu cortejo na parte baixa da cidade, com o objetivo de evitar conflitos e transtornos, além de demonstrar respeito à cultura local e às diferentes expressões do carnaval.

Conforme o decreto, a utilização de equipamentos móveis de som depende de autorização prévia da prefeitura, que pode suspender ou cancelar a permissão em caso de descumprimento das regras. O pedido deve ser feito até esta sexta-feira (13).

Entre as proibições impostas aos equipamentos de som estão: impedir ou atrasar a evolução das agremiações tradicionais; comprometer a fluidez da circulação; e provocar obstrução física ou sonora que descaracterize a tradição da festa.

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