Cunhado de Beira-Mar é preso no Sertão de Pernambuco durante operação contra tráfico interestadual

Investigado era apontado como principal atacadista do Comando Vermelho no Nordeste e atuava no Polígono da Maconha abastecendo comunidades do Rio de Janeiro

As polícias civis do Rio de Janeiro e de Pernambuco prenderam, Marinilson Carneiro da Silva, apontado como um dos principais atacadistas de drogas ligados ao Comando Vermelho no Nordeste. Cunhado do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, ele estava foragido há anos e foi localizado no chamado Polígono da Maconha, no Sertão pernambucano, onde negociava grandes carregamentos da droga destinados a comunidades do Rio.

De acordo com as investigações conduzidas pela 5ª DP (Mem de Sá), da Polícia Civil do Rio, com apoio da Polícia Civil de Pernambuco, Marinilson era responsável por negociar diretamente com produtores da região, manter rotas de tráfico e inspecionar a qualidade da maconha enviada ao Sudeste. Segundo a corporação, a prisão representa um “severo golpe” na estrutura logística da facção criminosa.

As apurações apontam que o esquema operava em dois eixos principais. Um deles tinha base em Mogi das Cruzes (SP), organizando rotas pelo Centro-Sul do país, com conexões no Paraguai, Bolívia e Colômbia. O outro ficava em Cabrobó (PE), funcionando como rota de mão dupla: enquanto a cocaína seguia para estados do Nordeste, a maconha era distribuída para Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Ceará, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Além da ligação familiar com Beira-Mar, Marinilson é irmão de Marcos José Monteiro Carneiro, conhecido como “Periquito”, preso em 2017 em São Paulo. Segundo os investigadores, vínculos familiares são recorrentes na estrutura hierárquica da organização. O Polígono da Maconha (região situada no sertão de Pernambuco e da Bahia, conhecida por ser o maior centro de cultivo ilícito de cannabis (maconha) no Brasil), onde ocorreu a prisão, é considerado uma das principais áreas produtoras do país e é alvo de disputas entre facções como PCC, Comando Vermelho e Bonde do Maluco, favorecidas pela logística proporcionada pelas BR-116, BR-232 e BR-316.

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