Pernambuco integra os 10 estados com mais casos de pessoas desaparecidas em 2025

61% do total de desaparecidos registrados foram do sexo masculino

Conforme dados do painel de indicadores de desaparecimentos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Pernambuco contabilizou 2.745 registros de pessoas desaparecidas em 2025, ocupando a nona posição entre os estados brasileiros com maior número de ocorrências. A estatística corresponde a uma média de quase oito casos por dia. A maior parte dos desaparecidos é do sexo masculino: 1.674 homens, o que representa 61% do total. Do total de registros no ano, apenas 271 pessoas foram localizadas. Entre crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, foram 695 casos — cerca de dois desaparecimentos por dia.

Por trás dos números, estão histórias marcadas por incerteza e sofrimento. A cuidadora de idosos Girlaine Rodrigues convive há anos com a ausência do filho, Vinícius Rodrigues dos Santos, desaparecido desde fevereiro de 2015, quando tinha apenas 8 anos e brincava em frente à casa da família, em São Lourenço da Mata, no Grande Recife. Situação semelhante enfrenta Joselane Maria da Silva, mãe de Kauã Francinaldo da Silva, que desapareceu em setembro de 2025, aos 13 anos, após sair de casa em Sirinhaém, na Zona da Mata Sul. Cinco meses depois, a família ainda não tem respostas.

Uma das ferramentas utilizadas na tentativa de solucionar esses casos é o Banco Nacional de Perfis Genéticos, que auxilia na identificação de pessoas desaparecidas ou não identificadas. O procedimento prevê a coleta de material biológico tanto de pessoas encontradas sem identificação quanto de familiares que procuram a Polícia Científica para fornecer amostras genéticas — preferencialmente parentes de primeiro grau, como pais, filhos ou irmãos. Em Pernambuco, além do Recife, há unidades para coleta em Afogados da Ingazeira, Arcoverde, Caruaru, Garanhuns, Nazaré da Mata, Ouricuri, Palmares, Petrolina e Salgueiro. Desde a criação do banco, 726 pessoas foram identificadas no Brasil, sendo 146 em Pernambuco por meio de exame de DNA, segundo a Secretaria de Defesa Social.

Os dados genéticos são cruzados no sistema e, quando há compatibilidade que indique vínculo familiar, a delegacia responsável comunica a família. De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, o registro de desaparecimento pode ser feito em qualquer delegacia, sem necessidade de aguardar prazo mínimo. No Recife, os casos são acompanhados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que conta com a Delegacia de Desaparecidos e Proteção à Pessoa (DDPP), especializada nesse tipo de ocorrência. A delegada Tereza Nogueira destaca que as investigações permanecem abertas enquanto houver indícios ou novas informações que possam levar ao paradeiro da pessoa desaparecida.

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