Justiça autoriza Associação pernambucana a cultivar cannabis para produção de medicamentos

Decisão da 7ª Vara Federal em Pernambuco afasta exigências industriais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária

A Justiça Federal autorizou a associação de pacientes Aliança Medicinal a cultivar a planta Cannabis sativa para a produção de medicamentos destinados aos seus associados. A sentença foi assinada pela juíza federal Amanda Torres de Lucena Diniz Araujo, da 7ª Vara Federal em Pernambuco, na sexta-feira (20).

A decisão determina que a Anvisa não aplique à entidade as exigências previstas nas resoluções RDC nº 327/2019 e RDC nº 658/2022, normas direcionadas à indústria farmacêutica.

Segundo a associação, a medida garante segurança jurídica às atividades que vinham sendo realizadas desde 2023 com base em liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que já havia autorizado a produção própria dos medicamentos.

O diretor executivo da entidade, Ricardo Hazin Asfora, afirmou que a decisão fortalece o fornecimento contínuo dos medicamentos aos associados. Já a presidente da associação, Hélida Lacerda, destacou que a sentença reconhece o uso terapêutico da cannabis com prescrição médica e assegura a continuidade do fornecimento do óleo medicinal.

A magistrada também determinou que a Anvisa mantenha a fiscalização sanitária das atividades da entidade.

Contexto regulatório – A decisão ocorre em meio a mudanças na regulamentação da cannabis medicinal no país. Em janeiro, a Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou normas que disciplinam etapas de produção da substância para fins medicinais, alinhadas ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre o direito à saúde.

As regras instituíram um modelo experimental conhecido como “sandbox regulatório”, que permite aplicação provisória e ajustável das normas sanitárias para associações de pacientes e instituições de pesquisa.

Sobre a entidade – Fundada em Olinda, a Aliança Medicinal é uma associação civil sem fins lucrativos que atende pacientes com prescrição médica para tratamento com medicamentos à base de cannabis. O vínculo associativo é gratuito e possibilita acesso aos produtos fabricados sob supervisão técnica e controle sanitário.

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