O julgamento do caso Renata Alves, morta com um tiro no rosto pelo então namorado, João Raimundo Vieira da Silva de Araújo, teve início na manhã desta quarta-feira (25), no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, na Ilha de Joana Bezerra, no Centro do Recife. O crime aconteceu em agosto de 2022, quando Renata tinha 35 anos, no bairro de Campo Grande, na Zona Norte do Recife, onde morava a vítima.
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A reportagem da CBN Recife acompanhou um ato realizado pelo Instituto Banco Vermelho (IBV) que traz visibilidade para o caso e para outras vítimas de feminicídio. A mobilização ocorreu antes do início do julgamento, em frente ao fórum, e contou com a presença de familiares e amigos da vítima.

Após enfrentar o adiamento do julgamento, que deveria ter ocorrido no último dia 16 de dezembro, Paula Limongi, amiga de Renata e uma das fundadoras do IBV, contou que aguarda pela decisão. “São três anos e meio de espera. A expectativa hoje é de que esse acusado ele pegue a pena máxima, porque essa é a resposta que o Estado tem que dar. Nós estamos vivendo uma epidemia de feminicídio”, defendeu Paula Limongi.
A mãe de Renata, Kátia Alves, também estava presente no ato, e relatou como tem sido enfrentar o luto causado pelo feminicídio. “É inacreditável. No começo a gente fica tonta, fica sem acreditar que aconteceu com a nossa filha”, contou.
No final de 2025, o IBV conseguiu a aprovação da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para a criação da Lei Renata Alves (nº 3567/2025), que estabelece o dia 6 de agosto, dia em que o crime aconteceu, como Dia Estadual em Memória das Vítimas de Feminicídio. Kátia Alves ainda comentou sobre a importância da lei: “Vai ser um dia de mobilização, mas que essa lei evolua também para gerar mudanças”.
Andrea Rodrigues, co-fundadora do IBV, também defendeu a importância da sentença para trazer visibilidade ao assunto. “Nós sabemos que nada vai trazer Renata de volta, assim como ninguém nada traz uma mulher morta de volta. Nós queremos justiça para que o nome de Renata não vire uma estatística, para que também isso também sirva para outras mulheres, para que outras famílias não precisem passar por essa dor que essa família de Renata está passando”.
O Tribunal de Justiça de Pernambuco informou que João Raimundo Vieira se encontra preso, e que o júri popular está sendo realizado de portas fechadas, pois o processo tramita em sigilo a pedido da defesa. Ele é psicólogo e está sendo julgado pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, sem chance de defesa à vítima e feminicídio, além de tentativa de cárcere privado contra outras duas mulheres.
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O réu ainda responde por violência sexual, lesão corporal em contexto de violência doméstica, cárcere privado e porte ilegal de armas de fogo. Na época do ocorrido, ele já usava tornozeleira eletrônica por uma tentativa de homicídio em 2019.
Relembre o caso:
Renata Alves e João Raimundo Vieira estavam juntos há cerca de oitos meses. Segundo as investigações da Polícia Civil, o psicólogo ainda praticava violência física, doméstica e psicológica com a vítima. A polícia também apontou que o réu mentia para Renata e escondia que usava tornozeleira eletrônica.


