A licitação para a operação das linhas de ônibus da Região Metropolitana do Recife foi novamente adiada pelo Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), prolongando um processo que se arrasta desde 2013 sem conclusão. A indefinição mantém grande parte do sistema funcionando sem contratos administrativos definitivos, sob regime de permissão, o que impede a formalização de metas, deveres e investimentos estruturais para as empresas responsáveis pela operação.
Iniciado ainda na gestão do ex-governador Eduardo Campos, o certame previa reorganizar o sistema com investimentos estimados em R$15 bilhões e divisão da operação em sete lotes. Apenas dois contratos chegaram a ser assinados em 2013, para os corredores Norte-Sul e Leste-Oeste. Na atual gestão estadual, o processo já foi adiado duas vezes e segue sem nova data definida, uma vez que depende de etapas de verificação por órgãos de controle.
A Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco emitiu nota de repúdio ao novo adiamento, destacando a preocupação com a continuidade do serviço sem contratos formais e os impactos financeiros e operacionais para o sistema. A entidade ainda informou que apresentou recurso ao TJPE contra o Estado e que espera a volta da validade da liminar que suspendeu o reajuste das passagens de ônibus por conta das ilicitudes e a ausência de contratos administrativos no segmento.
Um levantamento do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), divulgado em dezembro de 2025, identificou que cerca de um terço dos ônibus em circulação no Grande Recife já ultrapassou a vida útil recomendada, percentual que supera a metade da frota em algumas empresas. Segundo o órgão, a falta de renovação pode elevar o índice de veículos fora da validade para até 70% até o fim de 2026, agravando problemas como falhas mecânicas, desconforto e insegurança para os usuários do transporte público.


