Nordeste enfrenta aumento da seca e Pernambuco adota convivência com o fenômeno

O impacto das chuvas registradas em fevereiro só poderá ser avaliado nos boletins divulgados no próximo mês

Por Lucas Arruda

Em janeiro, 97% da região Nordeste apresentou registro de seca, sendo a única região do país com a identificação de seca extrema. As informações constam na última atualização do mapa do Monitor de Secas, produzido e coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Apenas Bahia e Sergipe não tiveram seca em 100% do território no último mês.

Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a seca extrema aumentou de 42% para 65% em Pernambuco: uma elevação de 58 para 72 municípios afetados, de acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac). Essa é a condição mais severa já enfrentada pelo estado desde março de 2019, com impactos já perceptíveis na Zona da Mata e no Litoral.

O impacto das chuvas registradas em fevereiro só poderá ser avaliado nos boletins divulgados no próximo mês. 

Reprodução/Monitor de Secas

Convivência com a seca 

Para reportagem da CBN Recife, a Secretaria Estadual de Recursos Hídricos e Saneamento declarou que o estado adota, cada vez mais, o conceito de convivência com a seca em substituição à antiga lógica de “combate”. De modo geral, mais de 85% dos municípios pernambucanos são, de algum modo, impactados pelo fenômeno. 

Apesar dos fatores naturais ligados ao clima do estado, inserido em zonas que variam do úmido ao semiárido, a ação humana tem intensificado a situação. O aumento da irregularidade das chuvas e a maior ocorrência de eventos extremos são consequências diretas das mudanças climáticas. O que, para o secretário Almir Cirilo, reforça a exigência de uma mudança de abordagem.

“A antiga lógica do combate à seca estava muito associada a ações emergenciais e assistencialistas. Hoje, trabalhamos com o conceito de convivência com a seca, que prioriza infraestrutura resiliente, planejamento de longo prazo e soluções adequadas à realidade de cada território”, diz. 

Seca – Marcelo Camargo/Agência Brasil

O que o estado tem feito?

Segundo a Secretaria Estadual de Recursos Hídricos e Saneamento, o governo tem trabalhado para ampliação da infraestrutura hídrica, com a construção de barragens, adutoras e sistemas integrados de abastecimento. O investimento em tecnologias sociais e descentralizadas, como a implantação de sistemas de dessalinização e poços artesianos, também está no escopo.

Inteligência meteorológica é outro ponto considerado como prioritário pelo governo para melhorar a capacidade de monitoramento da previsão do tempo – antecipando crises e permitindo tomada de decisões mais eficientes.

Jataúba

No início de fevereiro, a reportagem da CBN Recife contou sobre a situação enfrentada por agricultores em Jataúba, no Agreste Setentrional. Antes da chegada das chuvas na região, no sítio Cachoeira do Jacu, a agricultora Adelice Bezerra, de 39 anos, relatou as dificuldades com a estiagem.

“Até agora, a chuva por aqui chegou pouco e a falta d’água tá bem complicada, principalmente pra gente que tem animais, como gado. Os barreiros estão secos, a minha cisterna já está beirando o último anel, e a gente está tentando economizar da melhor forma possível. Água para lavar roupa e para gasto (uso diário), vou buscar na casa da minha sogra, que tem um pouco mais”, afirma. 

Para conseguir chegar até esses espaços, a distância percorrida era de 1 a 3 km. Por isso, cisternas particulares e os pontos abastecidos pela Operação Carro-Pipa, do Exército Brasileiro, ajudavam a diminuir as dificuldades. 

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