Câmara do Recife rejeita recurso e CPI sobre concurso segue arquivada

Pedido de CPI foi classificado como "espetáculo político" pelo prefeito João Campos (PSB)

Por Lucas Arruda

O plenário da Câmara Municipal do Recife recusou, por 24 votos a 1, em sessão extraordinária nesta quinta (5), o recurso apresentado pelo vereador Paulo Muniz (PL) solicitando o desarquivamento do pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades no resultado do concurso público para a Procuradoria-geral do Recife, em 2022. Apenas a vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) votou contrária à manutenção do arquivamento. O pedido de CPI foi classificado como “espetáculo político” pelo prefeito João Campos (PSB).

Na sessão desta quinta (5), participaram 27 vereadores, no entanto, apenas 24 votaram. Na quarta (4), em apreciação na Comissão de Legislação e Justiça, os parlamentares que integram o colegiado já haviam votado pela recusa do recurso, seguindo o parecer do relator Carlos Muniz (PSB). Após o arquivamento pelo presidente da Casa, Romerinho Jatobá (PSB), o autor do pedido de CPI, Thiago Medina (PL), também havia entrado com um recurso pelo desarquivamento – retirado por ele mesmo na noite da última terça (3).

Após o fim da sessão, o presidente Romerinho Jatobá (PSB) classificou o ato da oposição em protocolar um pedido de CPI na Câmara como “pirotecnia”.

“O plenário dessa Casa foi soberanoa em arquivar o pedido de CPI, tendo em vista que não se teve um fato concreto. Foi isso que levou a nossa decisão e isso é uma grande pirotecnia que já vem sendo explorada a bastante tempo. Não houve nenhum dano ao Recife e a nenhum concursado”, classificou.

O que diz a base do governo

O vereador Samuel Salazar (MDB), líder da base governista na Casa de José Mariano, disse à CBN Recife que o resultado da votação já era aguardado, confirmando a articulação realizada com os parlamentares.

“Eu fiz um discurso no mês passado em relação ao pedido de impeachment e agora sobre o pedido de CPI, sem fundamentação. Eu fico dizendo que o único propósito de tudo isso é tentar manchar a imagem do prefeito”, disse o vereador.

Paulo Muniz

Único parlamentar da oposição presente na sessão desta quinta-feira (5), o vereador Paulo Muniz (PL), autor do recurso para desarquivar a CPI, lamentou o resultado e a interferência do Palácio Capibaribe na Câmara. Do ponto de vista administrativo, a votação em plenário era o último instrumento válido para permitir instalação da CPI.

“Essa questão de concurso é de Classe A a C, D, todo mundo quer. Isso supera qualquer partido e a oposição achou que outros vereadores assumiriam que precisava de, no mínimo, uma investigação. Não tem sentença antes de qualquer investigação. Agora, isso não aconteceu porque a base da prefeitura foi maior e tratorou a CPI”, declarou.

O que levaria à CPI?

O pedido de CPI na Câmara do Recife, protocolado pelo vereador Thiago Medina (PL), ocorreu com base na nomeação de um candidato que, inicialmente, havia ficado na 63ª posição no certame realizado em 2022. Dois anos depois da publicação do resultado, ele pediu reclassificação para vagas afirmativas após ter recebido o laudo comprobatório de Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que foi acatado e levou à sua nomeação em 23 de dezembro de 2025.

O caso foi repercutido por parlamentares de oposição na internet, junto à informação de que o candidato é filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO) e de um juiz do Tribunal de Justiça de  Pernambuco (TJPE). A nomeação foi revogada pelo prefeito João Campos (PSB) em 31 de dezembro, em meio à atribuição de uso político.

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