A cada 24h, 12 mulheres foram vítimas de violência em 2025, aponta estudo

O levantamento foi realizado pela Rede de Observatórios da Segurança em nove estados, incluindo Pernambuco

O levantamento “Elas vivem: a urgência da vida”, realizado pela Rede de Observatórios da Segurança em nove estados, incluindo Pernambuco, mostra que, a cada 24h, 12 mulheres foram vítimas de violência em 2025. Ao todo, foram 4.558 mulheres vitimadas – um aumento de 9% em relação a 2024. Quanto aos casos de violência sexual/estupro, 56,5% das vítimas eram crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.

A Rede de Observatórios da Segurança realizou a sexta edição do estudo nos estados de Pernambuco, Pará, Piauí, Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Amazonas e Ceará. Nesses nove estados, o número de vítimas de feminicídio chegou a 546, além de sete transfeminicídios. A pesquisadora Dália Celeste, contextualiza os dados.

“Muitas das agressões ocorrem, geralmente, dentro de ambientes privados, dentro de relações marcadas por desigualdados de poder. Por controle e histórico da violência. Mas isso não significa que os espaços públicos estejam livres desse problema. A violência de gênero atravessa diferentes ambientes. Não se trata de casos isolados, mas de uma dinâmica social que atravessa o nosso cotidiano, o cotidiano das mulheres”, relata.

No Nordeste, entre os estados analisados pela Rede, Pernambuco foi o segundo com mais casos de violência contra a mulher em 2025: 364 – 16,7% a mais em relação a 2024. Considerando feminicídios, homicídios e transfeminicídios, o estado foi a unidade federativa com os maiores números – tendos os municípios de Recife, Garanhuns, Petrolina, Jaboatão dos Guararapes e Águas Belas no topo do ranking. 

A pesquisadora Dália Celeste ainda pontua a necessidade de que o poder público atue de forma efetiva, fazendo as políticas públicas valerem na prática. 

“É fundamental fortalecer políticas de prevenção, educação para igualdade de gênero e redes de acolhimento que garantam proteção efetiva às vítimas. Não só apenas utilizar uma proposta política, mas realmente efetivar, proporcionar a essas vítimas dentro de seus diversos contextos sociais e de classe”. 

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