Coluna da sexta | Gesto a Jarbas e ao MDB

Na véspera da Data Magna de Pernambuco, a governadora Raquel Lyra fez um movimento carregado de simbolismo político. Ao lançar um projeto para divulgar o hino de Pernambuco, resgatou uma iniciativa que teve sua primeira edição no então governo de Jarbas Vasconcelos. O gesto está longe de ser apenas cultural. Ao recuperar uma marca ligada […]
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Na véspera da Data Magna de Pernambuco, a governadora Raquel Lyra fez um movimento carregado de simbolismo político. Ao lançar um projeto para divulgar o hino de Pernambuco, resgatou uma iniciativa que teve sua primeira edição no então governo de Jarbas Vasconcelos. O gesto está longe de ser apenas cultural. Ao recuperar uma marca ligada à gestão jarbista, Raquel faz uma vinculação direta com um dos nomes mais respeitados e mais vitoriosos da política pernambucana.

A estratégia fica ainda mais evidente ao associar sua imagem ao legado do ex-governador e ex-senador. Jarbas virou, há tempos, um case de gestão e aprovação popular. A leitura no meio político é de que Raquel reforça o discurso de identidade com Pernambuco e, ao mesmo tempo, tornando os símbolos oficiais do estado bandeira de sua própria trajetória. A iniciativa mostra que a governadora entrou de cabeça não só na agenda administrativa, mas também no jogo político.

O movimento também carrega um recado claro: é mais uma sinalização ao MDB ligado a Jarbas. Mesmo sem comandar hoje a presidência estadual da sigla, o grupo jarbista segue tentando o comando da legenda na esfera judicial e numa articulação nacional.

AZEDOU DE VEZ – A relação entre a governadora Raquel Lyra e o presidente do PP em Pernambuco, Eduardo da Fonte, parece que azedou de vez. Para aliados do deputado, a versão de que ele estaria deixando o governo é mais uma narrativa criada para desidratar sua chapa. Da Fonte segue dizendo que só vai decidir depois do fechamento da janela, porém essa antecipação e investidas já são provas desse distanciamento do Palácio e uma aproximação no palanque de João Campos.

DANÇA DAS CADEIRAS – O que corre na política é que, com a possível ida da Federação União Progressista para o palanque de João Campos, atraída pelo robusto tempo de televisão, o tabuleiro pode ganhar novos rearranjos. Nesse cenário, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e a ex-deputada Marília Arraes passam a ser citados como possíveis nomes para compor a chapa da governadora Raquel Lyra ao Senado, já que uma das vagas ao lado de João tende a ficar com o senador Humberto Costa.

FRASE DO DIA: “Será que com um homem fariam a mesma coisa? Queria dizer a todas as mulheres que resistam. Para nós, é mais difícil, mas resistam. Coragem!”, disse Marília Arraes, na CBN, sobre retaliação a sua pré-candidatura ao Senado. 

RÁPIDAS 

VIOLÊNCIA DE GÊNERO – A ex-deputada Marília Arraes, pré-candidata ao Senado, classificou como violência de gênero as pressões para que retire sua candidatura ou aceite acordos que a tirem da disputa. Em meio à Semana da Mulher, ela lançou um questionamento direto aos arranjos políticos conduzidos por lideranças masculinas, apontando que decisões sobre seu futuro eleitoral não podem ser tomadas sem sua participação.

GOL DE PLACA – O presidente Lula reconduziu o ex-governador de Pernambuco Paulo Câmara à presidência do Banco do Nordeste. A decisão é vista como um gol de placa do presidente da república, sobretudo diante dos números apresentados pela própria instituição durante a gestão de Câmara, período em que o banco registrou resultados históricos.

Data Magna – Pernambuco celebra hoje a Data Magna, feriado que marca o início da Revolução de 1817, também conhecida como a Revolução dos Padres. Durante pouco mais de um mês, o estado chegou a se tornar uma república independente, episódio que reforça o caráter libertário e o protagonismo pernambucano na história nacional. 

PINGA-FOGO: Quando será a saída ou expulsão do PP da base de Raquel?

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