ClarIA: conheça a IA lançada pela Prefeitura do Recife para identificar risco de violência e feminicídio

A inteligência artificial está em fase de implementação pela Prefeitura do Recife nas unidades de saúde

Uma tecnologia que une o trabalho dos serviços de saúde à luta pela diminuição dos casos de violência contra a mulher e feminicídio. Essa é a ClarIA, inteligência artificial que está em fase de implementação pela Prefeitura do Recife nas unidades de saúde para ajudar a identificar situações de violência a partir dos dados e do histórico clínico da paciente. O efeito esperado é conseguir diminuir o número cada vez mais alto de casos.

A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Vital Strategies e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), integra as secretarias de Saúde e da Mulher. Na prática, a IA identifica indícios de que a paciente seja vítima de violência, ainda que ela não tenha dito isso ao profissional que conduz o atendimento. Um alerta, em diferentes níveis, é lançado ao Prontuário Eletrônico das Unidades Básicas de Saúde, e em paralelo, a mulher é direcionada a um acompanhamento especializado e individual.

O prefeito do Recife, João Campos (PSB) explicou que a iniciativa, pioneira no país, deve provocar aumento no número de casos de violência doméstica na cidade – dada a realidade de subnotificação. Porém, a ClarIA será uma importante ferramenta no combate aos crimes.

“Na consulta, a médica começa a abordar, a conversar, e leva a paciente a falar sobre a violência. Isso vai surpreender a paciente, e a expectativa é de que se crie uma abertura para que ela fale do que está acontecendo. Quando falar, a médica já vai garantir que haja um protocolo em que ela esteja inserida. Eu não tenho nenhuma dúvida de que muitas cidades vão procurar essa ferramenta, e o que depender do município, vamos disponibilizar para que o máximo de cidades tenham acesso”, declarou.

A ClarIA surge do cruzamento de dados de atendimentos realizados a 900 mil mulheres nas unidades de saúde Recife, em 10 anos, com o Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan). Os pesquisadores perceberam padrões, como a procura dos serviços de saúde por vítimas de violência, normalmente relatando questões ligadas à saúde mental, 90 dias antes de uma agressão grave ou mesmo um feminicídio.

Inicialmente testada em três Unidades de Saúde da Família, o objetivo da prefeitura é de que até julho todos distritos sanitários estejam capacitados para utilizar a ClarIA associada a ferramentas como o Guia Prático de Atenção às Mulheres em Situação de Violência e demais estratégias, como detalha a secretária Luciana Albuquerque.

“Tem uma forma de chegar nessa mulher para que ela consiga falar sobre isso e para que o profissional consiga dar o encaminhamento necessário. O que a gente quer, tanto a Secretaria de Saúde como a Secretaria da Mulher, é conhecer o caso para dar o melhor encaminhamento, porque também vimos que quando essa mulher é notificada e é encaminhada para a rede de proteção, a gente reduz em até duas vezes o número de feminicídios”, pontuou.

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