Pesquisa aponta que 77% das mulheres recifenses já sofreram assédio

Uma pesquisa inédita realizada pelo Ipec, em parceria com o Instituto Cidades Sustentáveis, revelou que 77% das mulheres do Recife afirmaram já ter sofrido algum tipo de assédio nos ambientes investigados. O dado coloca a capital pernambucana acima da média nacional de 74%, empatando com o Rio de Janeiro entre os maiores índices registrados nas […]

Uma pesquisa inédita realizada pelo Ipec, em parceria com o Instituto Cidades Sustentáveis, revelou que 77% das mulheres do Recife afirmaram já ter sofrido algum tipo de assédio nos ambientes investigados. O dado coloca a capital pernambucana acima da média nacional de 74%, empatando com o Rio de Janeiro entre os maiores índices registrados nas dez capitais analisadas pelo estudo “Viver nas Cidades: Mulheres”.

O levantamento, divulgado na última quinta-feira (5), ouviu 3.500 pessoas em dezembro de 2024, destacando que o problema é generalizado, mas atinge picos preocupantes em cidades como Porto Alegre (79%) e Recife.
O estudo detalha que os espaços públicos, como ruas, praças e parques, são os locais onde as mulheres se sentem mais vulneráveis, com 56% de relatos de ocorrências em todo o país. Outros ambientes críticos mencionados incluem o transporte público (51%), o ambiente de trabalho (38%) e bares ou casas noturnas (33%).

O ambiente familiar também aparece com 28% das menções, seguido pelo transporte por aplicativo ou táxi (17%). A pesquisa identificou que o perfil das vítimas varia conforme o local: jovens de 16 a 24 anos são as mais atingidas em espaços públicos, enquanto o grupo de 25 a 34 anos relata mais episódios em ambientes de lazer noturno.

Diante desse cenário de insegurança cotidiana, o levantamento também consultou a população sobre as medidas prioritárias para combater a violência contra a mulher. A solução mais defendida pelos entrevistados foi o aumento das penas para os agressores (54%), seguida pela ampliação dos serviços de proteção às vítimas (49%) e pela agilização das investigações de denúncias (40%).

Para os pesquisadores, os resultados reforçam que o assédio e a violência permanecem enraizados nas grandes cidades brasileiras, exigindo políticas públicas mais robustas que garantam o direito de ir e vir das mulheres com segurança.

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