A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) confirmou que irá recorrer da decisão liminar do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) que determinou a suspensão da turma especial do curso de Medicina. O projeto é voltado exclusivamente para beneficiários da reforma agrária, quilombolas e educadores do campo.
Em declaração na quarta-feira (11), o reitor Alfredo Gomes enfatizou que a instituição esgotará todas as instâncias jurídicas para garantir a continuidade do curso, defendendo a autonomia universitária e o direito à educação pública de qualidade para populações historicamente negligenciadas.
A suspensão atende a um pedido do vereador do Recife, Tadeu Calheiros, sob o argumento de possíveis irregularidades no processo seletivo e na implementação do programa. Apesar da interrupção do fluxo para novas etapas, o TRF5 permitiu que os estudantes atuais sigam com as atividades acadêmicas até o fechamento do primeiro semestre letivo.
O curso, que funciona no Centro Acadêmico do Agreste (CAA), em Caruaru, é financiado pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) e atende 80 alunos de diversos estados desde o final de 2025.
O projeto tem sido alvo de embates jurídicos desde o lançamento do edital, em setembro de 2025. Na época, a seleção chegou a ser suspensa pela Justiça Federal em Pernambuco, mas a Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu reverter a liminar, permitindo o início das aulas em dezembro.
Agora, com a nova decisão do TRF5, a universidade se prepara para uma nova rodada de defesa jurídica para manter o funcionamento da graduação, que é fruto de uma parceria com o Incra e o Ministério de Desenvolvimento Agrário.


