Coluna da quarta | Raquel não pagou pra ver e tirou o PP 

A governadora Raquel Lyra decidiu não pagar pra ver e partiu para o enfrentamento direto. Num movimento que foge completamente ao padrão dos últimos anos, ela fez o que nenhum governador recente fez: tirou o PP de dentro do governo de uma vez só. As principais indicações do deputado Eduardo da Fonte — Lafepe, Ceasa […]
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A governadora Raquel Lyra decidiu não pagar pra ver e partiu para o enfrentamento direto. Num movimento que foge completamente ao padrão dos últimos anos, ela fez o que nenhum governador recente fez: tirou o PP de dentro do governo de uma vez só. As principais indicações do deputado Eduardo da Fonte — Lafepe, Ceasa e Porto do Recife — foram exoneradas, numa sinalização clara de que não há mais espaço para ele e sua sigla no governo.

Mas não foi um gesto impulsivo. Raquel fez cálculo. Ao mesmo tempo em que afasta o núcleo duro do PP, preserva pontes. Manteve, por exemplo, a Secretaria de Turismo sob o comando de Kaio Maniçoba, numa tentativa evidente de segurar parlamentares do partido ainda alinhados ao Palácio. Tira de um lado, segura do outro.

O movimento, no entanto, tem efeito colateral claro — e talvez calculado. Ao empurrar o PP para fora, Raquel praticamente coloca no colo do prefeito João Campos a futura Federação União Progressista, que já tem data para ser homologada no TSE: dia 26 deste mês. Ou seja, ao mesmo tempo em que limpa a área dentro de casa, pressiona a Frente Popular a abraçar de vez o projeto de Da Fonte para o Senado.

A governadora abre uma avenida. Com a saída do PP, surgem espaços, cargos e estruturas que passam a servir para articulação política. A conta é simples: perde um aliado de peso, mas cria terreno fértil para novos arranjos. No fim das contas, Raquel troca o risco da dúvida pela certeza do movimento.

REAÇÃO – O deputado federal Eduardo da Fonte classificou como “precipitada” a decisão da governadora Raquel Lyra de exonerar os indicados do PP do governo. Em conversa com a coluna, o parlamentar afirmou que só pretende se movimentar no tabuleiro da chapa majoritária após a homologação da Federação União Progressista e fez questão de afastar especulações: garantiu que não há qualquer acordo com o prefeito João Campos neste momento. Ele terá um baita tempo de rádio e TV e muitos recursos. 

REFORÇO NO PSD – A governadora Raquel Lyra começou a recompor sua base e filiou novos quadros ao PSD. Entre eles, o deputado Antônio Moraes, que deixa o PP, e o deputado Romero Sales, que já estava a caminho da legenda. O movimento reforça a estratégia da governadora de desidratar a sigla progressista.

FRASE DO DIA: “Foi uma decisão precipitada”, disse o deputado Eduardo da Fonte, ao comentar as exonerações feitas pelo Palácio.

RÁPIDAS

BRASÍLIA FERVENDO – O prefeito João Campos e a governadora Raquel Lyra já estão em Brasília para uma série de encontros visando a montagem dos seus respectivos palanques.

SOCIALISTAS – Como presidente nacional do PSB, João Campos apresentou novos números da legenda e reuniu parte da bancada e novos filiados para um jantar na Fundação João Mangabeira.

NOVOS ENCONTROS – Estava marcado um novo encontro para ontem entre o ministro Silvio Costa Filho e o prefeito João Campos. A vice era o foco. Hoje, a governadora Raquel Lyra vai à mesa com Marília Arraes e Miguel Coelho.

PINGA-FOGO: Qual será o efeito maior da saída do PP do governo?

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