OMS alerta para ameaça global aos programas de vacinação por crescimento da desinformação

Relatório do grupo SAGE destaca riscos de retrocessos em 2026; entidade reafirma inexistência de ligação entre vacinas e autismo

A Organização Mundial de Saúde (OMS), por meio de seu Grupo Estratégico Consultivo de Peritos em Imunização (SAGE), emitiu um alerta global nesta quinta-feira (19) sobre a erosão da confiança pública nas vacinas. Segundo o comunicado, o cenário de 2026 é marcado por uma “profunda turbulência” causada pela disseminação de informações distorcidas e incertezas quanto ao financiamento de pesquisas.

Kate O’Brien, diretora de Imunização da OMS, enfatizou que restrições orçamentais e conflitos geopolíticos podem levar países a abandonarem imunizantes essenciais de seus calendários nacionais, colocando em risco os 154 milhões de vidas salvos pelas vacinas nos últimos 50 anos.

Em uma resposta direta às declarações recentes do secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., a OMS reiterou com veemência que não existe qualquer ligação científica entre vacinas e o autismo. A entidade classificou as alegações antivacinas como desprovidas de embasamento e perigosas para a saúde pública.

Além do combate à desinformação, os especialistas manifestaram preocupação com o ressurgimento da poliomielite em zonas de conflito, como o Oriente Médio, o Afeganistão e o Paquistão, onde a instabilidade dificulta as metas de erradicação do poliovírus.

Quanto à estratégia para a Covid-19, o SAGE recomendou a vacinação semestral para grupos de alto risco, devido à queda na proteção após seis meses. A organização defende agora um redirecionamento de investimentos para o desenvolvimento de vacinas “pancoronavírus” de ação prolongada, visando superar a atual dominância tecnológica das vacinas de RNA mensageiro e garantir uma imunidade mais ampla e duradoura contra diversas variantes e tipos de coronavírus.

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