Páscoa de 2026 deve movimentar R$ 410,9 milhões em Pernambuco, com leve retração no consumo

Estudo da Fecomércio-PE aponta impacto da inflação e do endividamento das famílias na desaceleração das vendas

A Páscoa de 2026 deve movimentar cerca de R$ 410,9 milhões na economia de Pernambuco, segundo levantamento do Hub de Dados do Comércio da Fecomércio-PE. Apesar de continuar como uma das datas mais relevantes para o varejo no primeiro semestre, o valor representa uma queda de 2,9% em relação a 2025, indicando uma desaceleração no consumo. A projeção considera dados históricos de arrecadação de ICMS e fatores macroeconômicos como inflação, nível de endividamento das famílias e intenção de compra.

De acordo com o estudo, o aumento dos preços de produtos típicos da Páscoa tem influenciado diretamente o comportamento do consumidor. Nos últimos 12 meses, o chocolate acumulou alta de 26,3%, seguido pelo achocolatado (17,9%), bacalhau (13,3%) e vinho (11%), todos acima da inflação geral de 3,81%. Esse cenário tem levado os consumidores a substituir itens tradicionais por alternativas mais baratas. Além disso, o endividamento das famílias aparece como um fator decisivo: a cada aumento de um ponto percentual nesse indicador, a movimentação financeira da data tende a cair cerca de R$ 6,19 milhões no estado.

Mesmo com a retração, a Páscoa mantém sua importância para o comércio pernambucano e também impulsiona o empreendedorismo. A expectativa é de crescimento na formalização de microempreendedores individuais (MEIs), com cerca de 8.898 registros em março e 9.965 em abril, acompanhando a preparação para a demanda sazonal. Após o impacto da pandemia, quando a movimentação chegou a R$ 279 milhões em 2021, o setor voltou a crescer nos anos seguintes, ultrapassando os R$ 420 milhões em 2024 e 2025. Para 2026, o cenário aponta uma acomodação do consumo, sem comprometer a relevância econômica da data.

Mais Lidas