TJPE adia decisão sobre recurso do MPPE que pede suspensão de novos empreendimentos em Tamandaré

Julgamento foi interrompido após pedido de vista, apesar de maioria parcial já formada na 2ª Câmara de Direito Público

A 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) iniciou, no último dia 19 de março, o julgamento de um recurso do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) que busca barrar a aprovação de novos empreendimentos em Tamandaré, no Litoral Sul do estado. A análise, considerada estratégica para a defesa ambiental e o ordenamento urbano do município, foi interrompida após pedido de vista do desembargador Ricardo Paes Barreto, adiando a decisão final para a próxima semana.

Durante a sessão, representantes do MPPE alertaram para o cenário crítico da cidade, destacando que a ausência de revisão do Plano Diretor desde 2002 tem permitido a criação de leis pontuais que favorecem interesses específicos, sem planejamento integrado. Segundo o órgão, isso tem resultado na liberação de grandes empreendimentos com base em parâmetros considerados ilegais, elevando o risco de colapso na infraestrutura urbana e causando possíveis danos irreversíveis ao meio ambiente. O relator do caso, desembargador José Ivo Guimarães, reconheceu a gravidade da situação e votou pelo provimento parcial do recurso, determinando que a Prefeitura apresente, em até 60 dias, um cronograma para revisão do Plano Diretor, sob pena de multa diária.

O voto do relator foi acompanhado integralmente pelo desembargador Paulo Romero Sá Araújo. No entanto, antes da conclusão do julgamento, o presidente da Câmara solicitou mais tempo para analisar o processo, destacando a complexidade do caso e a existência de uma suspensão temporária das licenças ambientais já imposta pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). Com isso, o desfecho foi adiado, enquanto o MPPE afirma que seguirá monitorando o caso para garantir que o desenvolvimento de Tamandaré ocorra de forma sustentável e dentro da legalidade.

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