A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) realizou a Operação Kyma, com o cumprimento de 11 mandados de prisão expedidos pelo Juízo da 15ª Vara Criminal da Capital.
Entre os alvos, estão quatro agentes de segurança pública: dois policiais militares — um de Pernambuco e outro do Piauí —, um guarda municipal do Rio Grande do Norte e um policial penal.
A investigação apura um esquema de fraude no concurso do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), realizado em 21 de setembro de 2025 para o cargo de técnico. Devido à confirmação das irregularidades, o certame foi posteriormente anulado.
De acordo com a Polícia Civil, os quatro agentes tinham participação no esquema, mas com funções distintas. Um dos policiais militares atuava diretamente na organização criminosa, sendo responsável pela logística e distribuição dos equipamentos utilizados na fraude. Já o outro PM, assim como o guarda municipal e o policial penal, figurava como cliente do grupo.
Além disso, um terceiro policial militar foi alvo de mandado de busca e apreensão. No total, foram expedidos 22 mandados dessa natureza.
As ordens judiciais foram cumpridas em diversas cidades, incluindo Recife, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe, Vitória de Santo Antão, Itaquitinga, Araçoiaba e Petrolina, além de ações no estado do Rio Grande do Norte.
Segundo as investigações, a organização criminosa atuava principalmente em duas frentes. A primeira consistia na obtenção antecipada das provas. Um dos integrantes conseguia acesso ao conteúdo antes da aplicação, registrava imagens e repassava o material ao líder do grupo.
A segunda etapa envolvia a resolução das questões e a distribuição dos gabaritos. O conteúdo era enviado a pessoas responsáveis por resolver as provas, chamadas de “professores”, que posteriormente repassavam as respostas aos candidatos envolvidos.
Para utilizar as informações de forma ilegal durante a prova, os candidatos recorriam a diferentes dispositivos, como pontos eletrônicos intra-auriculares conectados a celulares, equipamentos em formato de cartão com transmissão via bluetooth e até anotações escondidas nas roupas.
Integrantes da quadrilha também compareciam aos locais de prova para orientar os candidatos sobre como ocultar os dispositivos e identificar o tipo de exame aplicado.
A quadrilha utilizava equipamentos adaptados para evitar a detecção por detectores de metal, incluindo celulares com componentes modificados para reduzir a presença de material metálico. Há indícios de que alguns desses dispositivos tenham sido importados, possivelmente da Europa.
Ainda de acordo com a PCPE, os candidatos envolvidos no esquema fraudulento poderiam pagar até R$ 70 mil após a aprovação, dependendo do cargo escolhido.
A investigação, iniciada em dezembro de 2025, também apura crimes como lavagem de dinheiro. A Justiça determinou ainda o bloqueio de ativos financeiros dos envolvidos.
Ao todo, cerca de 130 policiais civis participaram da operação, entre delegados, agentes e escrivães, com apoio de diversos órgãos, como a Diretoria de Inteligência da Polícia Civil, o Comando de Operações e Recursos Especiais (Core), a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social, além da Polícia Federal, do Instituto de Criminalística e da Polícia Civil do Rio Grande do Norte.
A Operação Kyma — termo de origem grega que significa “onda” — foi realizada em municípios como Recife, Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Itaquitinga, Vitória de Santo Antão, Petrolina, Araçoiaba, além de unidades como o Cotel e ações em Extremoz (RN).
Simultaneamente, a Polícia Civil executou a Operação Crivo, que investigava outro esquema de fraude em concursos públicos – referente ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE).
Nessa ação, estão sendo cumpridos 15 mandados de busca e apreensão domiciliar, expedidos pelo Juízo da 19ª Vara Criminal da Capital. Cerca de 110 policiais civis participam da operação.
As diligências ocorrem em cidades como Recife, Olinda, Igarassu, Parnamirim, Petrolândia, Salgueiro e Mossoró (RN).
As investigações da Operação Crivo tiveram início em 2025 e contam com o apoio da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil, do TCE-PE, da Polícia Federal e da Polícia Civil do Rio Grande do Norte.
Servidores públicos estão entre os investigados, incluindo um diretor de hospital do Sertão de Pernambuco. A princípio, a corporação ressaltou que há indícios de que se trata do mesmo grupo investigado por fraude no concurso do TJPE, principalmente pela similaridade encontrada – já que havia uma entrada inicial de cerca de R$ 5 mil, e o valor total poderia chegar a aproximadamente R$ 50 mil após a aprovação, a depender do cargo. Em alguns casos, os pagamentos não se limitavam a dinheiro em espécie, podendo incluir bens -, mas somente com o avanço do inquérito isso será confirmado.


