Banda Ave Sangria recebe anistia 50 anos após censura pela Ditadura Militar

Decisão reconhece perseguição política a integrantes e prevê pensão mensal vitalícia, além de valores retroativos

A banda pernambucana Ave Sangria foi oficialmente anistiada pelo Estado brasileiro, quase 50 anos após ter sua trajetória interrompida pela censura durante a Ditadura Militar. A decisão foi tomada pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos, que reconheceu a perseguição política sofrida pelos integrantes e determinou o pagamento de indenização, incluindo pensão mensal vitalícia de R$ 2 mil e valores retroativos ainda a serem calculados.

O reconhecimento contempla os músicos Marco Polo, Almir de Oliveira e Agrício de Carvalho Noya Filho (este último já falecido), sendo representado pela esposa. O processo se baseia na legislação que regulamenta a condição de anistiado político no Brasil, após a comprovação de que os artistas foram vítimas de atos de exceção. Em 1974, o único álbum da banda à época foi retirado de circulação por órgãos de repressão, sob a alegação de conteúdo considerado inadequado, o que inviabilizou a continuidade do grupo.

Além da retirada do disco, os integrantes enfrentaram investigações, pressões e outras formas de repressão que resultaram em prejuízos materiais e artísticos. A banda só voltou a lançar um novo trabalho décadas depois, em 2019. Apesar da decisão favorável, o pagamento da indenização ainda depende de trâmites administrativos para ser efetivado. O caso também reforça a possibilidade de outros artistas que sofreram perseguição durante o período solicitarem reconhecimento e reparação.

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