Caso Padre Airton: defesa da personal stylist diz que recebeu absolvição com surpresa

De acordo com o advogado Rafael Nunes, a defesa vai recorrer da sentença ao TJPE

A defesa da personal stylist Silvia Tavares de Souza, que denunciou o padre Airton Freire e o motorista Jailson Leonardo da Silva por estupro, afirma que recebeu com tristeza e surpresa a decisão da Vara Única de Buíque que absolveu o religioso e seu funcionário. De acordo com o advogado Rafael Nunes, que é assistente de acusação no caso, o processo será remetido ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) para revisão da sentença proferida pelo juiz Felipe Marinho dos Santos. 

O crime teria ocorrido em 2022 e o processo tramita em segredo de justiça. Segundo a defesa do padre, na decisão, o juiz considerou que as provas periciais reunidas durante a investigação não foram suficientes para comprovar a versão da denunciante, além de haver inconsistências quando comparados os depoimentos e os materiais apresentados nos autos. 

O advogado Rafael Nunes rebate os argumentos, alegando que entre as provas encontradas estão sêmen, dados apagados em aparelhos eletrônicos, fotografias, além dos outros quatro inquéritos por estupro vinculados ao padre Airton Freire.

“Estávamos muito confiantes da condenação, porque a produção de provas não deixou qualquer tipo de dúvida. Resta à defesa o recurso. Iremos devolver a matéria para o segundo grau, para o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), que dessa vez será julgado por um colegiado. São desembargadores que têm o poder de reformar essa sentença. É importante deixar claro que a palavra de Sylvia não é isolada. Então, iremos recorrer. Tenho certeza de que o tribunal irá reformar essa decisão”, declarou.

O TJPE não se pronunciou sobre a decisão. A defesa de Sylvia Tavares também espera que o MPPE recorra da sentença. A personal stylist denunciou ter sido vítima de estupro em agosto de 2022. À época, o padre Airton Freire negou as acusações. A denunciante tinha uma relação de proximidade com o religioso desde 2019, quando passou a frequentar a Fundação Terra, em Arcoverde, para participar de retiros espirituais.

“Eu me senti indignada, injustiçada. Não está sendo fácil para mim. Eu não tinha ele (padre Airton Freire) não só como um líder religioso, eu tinha ele como um amigo. É como você abrir a porta da sua casa e ser estuprada por um amigo ou por uma amiga. E eu não vou desistir, eu vou lutar”, disse a personal stylist acompanhada do advogado.

Desde 2023, o padre Airton Freire e o motorista Jailson Leonardo da Silva estavam presos – quanto ao religioso, em prisão domiciliar. A sentença proferida pela Vara única de Buíque nesta segunda-feira (30) revoga as prisões. 

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