O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) decretou a prisão preventiva de Marcelo Alves Vasconcelos, o médico responsável pelo procedimento estético nos glúteos que matou a comerciante Adriana Barros Lima Laurentino, que tinha 46 anos. O caso aconteceu em janeiro de 2025 e o mandado foi expedido no último dia 27 de março, mas no momento o réu encontra-se foragido.
A determinação foi emitida pela juíza Danielle Christine Silva Melo Burichel, da 3ª Vara do Tribunal do Júri da capital, no Recife. No decreto, a juíza acatou o posicionamento do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que afirmou que a medida era necessária para garantir a ordem e a saúde pública após constatar a existência de continuidade delitiva, ou seja, quando um agente comete dois ou mais crimes da mesma espécie, em condições semelhantes de tempo, lugar e modo de execução.
O médico responde pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe/ganância. A pena prevista é de 12 a 30 anos de prisão. Segundo as investigações da Polícia Civil, a vítima morreu de embolia pulmonar causada pelo uso de polimetilmetacrilato, uma substância conhecida como PMMA, que não é recomendado para uso em fins estéticos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Adriana Barros ainda sofreu uma infecção generalizada devido a uma nfecção urinária anterior, mas que foi agravada devido à realização do procedimento médico. De acordo com o inquérito do caso, o médico sabia das intecorrências, e isso indica que ele assumiu o risco do resultado que poderia ocorrer.
O inquérito também aponta que o réu não realizou nenhum exame prévio na paciente, o que poderia diagnosticar a infecção urinária que ela sofria e evitar o óbito. Outra irregularidade apontada pela polícia é que, na época do procedimento, ele não tinha inscrição no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), e exercia a atividade de forma ilegal no estado.
Adriana Barros realizou o procedimento, que custou R$ 21 mil, na Bodyplastia, localizada na Zona Sul do Recife. Em nota, a defesa de Marcelo Alves Vasconcelos disse que vai contestar a decisão e que “todas as questões médicas e técnicas serão tratadas apenas dentro do processo, com base em laudos e demais provas” porque o caso corre em segredo de Justiça. A nota ainda afirma que a paciente não tinha qualquer comorbidade ou contraindicação para o procedimento, que todos os exames foram realizados e não apontavam qualquer empecilho ou contraindicação para o procedimento.


