O relato do livro do Gênesis apresenta a criação do ser humano, afirmando ter sido criado, possuindo a imagem e semelhança de Deus. Na visão cartesiana, o que nos identifica é que somos dotados de razão. Ao juntarmos as duas reflexões e, afirmações a respeito da nossa criação, conclui-se que somos possuidores de uma essência extremamente valorosa, com capacidade de discernimento. Na perspectiva hobbesiana, o comportamento maldoso é inerente ao ser humano e, como espécie de freio para conter tamanha maldade, existe o Estado com seu poder coercitivo.
Certas atitudes tomadas pelo ser humano causareprovação social, mesmo assim, ainda há os que de maneira tácita, a referendam. Casos como a morte atroz do cachorro Orelha, demonstra como a maldade faz morada e possui predominância no comportamento de pessoas, que grosso modo, acredita-se ser incapaz de promover tamanha crueldade. Na verdade, o que realmente se passa na cabeça de alguém para cometer atrocidade com aquele que é considerado o melhor amigo que a raça humana possui? Parece-nos que vivemos em quebra bastante acelerada de valores, não significando que no passado não existisse crueldade praticada pelo ser humano, mas é que agora estamos assistindo como disse Hanna Arendt uma banalidade do mal.
Olinda, 07 de fevereiro de 2026.
Hely Ferreira é cientista político


