Noite dos Tambores Silenciosos reúne 43 grupos no Pátio do Terço no Carnaval 2026

Evento acontece na segunda (16), com 41 maracatus mirins e adultos e 2 afoxés, celebrando ancestralidade e resistência da cultura negra no Recife

O Recife divulgou a programação da tradicional Noite dos Tambores Silenciosos, que será realizada na segunda-feira (16) de Carnaval, no Pátio do Terço, no bairro de São José, área central da cidade. Considerado um dos momentos mais emblemáticos da folia recifense, o evento reunirá 41 maracatus, entre mirins e adultos, além de dois afoxés, em uma celebração marcada pela ancestralidade, religiosidade e resistência da cultura afro-brasileira. A cerimônia mirim acontece das 16h às 19h e será conduzida pela ialorixá Mãe Fátima; já a cerimônia adulta, das 20h às 3h, ficará sob a responsabilidade do babalorixá Jorge de Bessen, sucessor de Tatá Raminho de Oxóssi, que liderou o ritual por décadas e faleceu em dezembro de 2024.

Realizada há mais de 50 anos, a Noite dos Tambores Silenciosos teve início na década de 1960, organizada por Paulo Viana, e passou por um processo de sacralização nos anos 1990, quando Tatá Raminho assumiu a condução religiosa. Desde então, o encontro combina apresentações de maracatus com cantos aos orixás e reverência aos eguns, espíritos ancestrais cultuados nas religiões de matriz africana. À meia-noite, as luzes são apagadas e os tambores silenciados em um gesto coletivo de respeito e homenagem aos que já se foram, momento que emociona participantes e público.

O Pátio do Terço, que abriga a histórica Casa de Badia, é um espaço simbólico da memória negra no Recife, tendo sido ponto de terreiros de Xangô e de agremiações carnavalescas formadas por homens e mulheres negros. Na programação mirim estão grupos como Nação Encanto da Alegria, Nação Cambinda Africano, Nação Estrela Dalva e Maracatu Infantil Nação Estrelar. Já na cerimônia adulta, desfilam nações tradicionais como Leão da Campina, Gato Preto, Porto Rico, Elefante, Estrela Brilhante do Recife, além dos afoxés Ara Odé e Omo Obá Dê, mostrando a força e a continuidade das tradições afro-brasileiras no Carnaval do Recife.

Mais Lidas