Mesmo com o acúmulo de resíduos sólidos na Unidade de Triagem de Resíduos Sólidos (UTRS) de Fernando de Noronha, um navio que deveria transportar o lixo da ilha para o continente deixou o arquipélago no dia 13 de janeiro levando apenas um micro-ônibus, sem remover os materiais acumulados. A situação ocorre em meio a cobranças de órgãos ambientais e à aplicação de multa de R$ 700 mil à empresa Ambipar pelo armazenamento irregular dos resíduos.
A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) realizou fiscalização em 12 de fevereiro e constatou o acúmulo irregular de lixo na usina, responsabilizando a empresa pelo manejo dos resíduos. No mesmo dia, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) notificou a Administração de Fernando de Noronha e estabeleceu prazo de 48 horas para a adoção de medidas que resolvessem o problema. Já no dia 11 de fevereiro, a gestão da ilha também notificou a Ambipar, determinando a retirada de pelo menos 400 toneladas de resíduos no mesmo prazo, o que não foi cumprido.
Em novembro de 2025, a usina de lixo do arquipélago já acumulava cerca de 5,5 mil toneladas de resíduos armazenados, muitos deles mantidos ao ar livre em grandes sacos conhecidos como “big bags”. Especialistas alertam que a permanência prolongada desse material pode gerar impactos ambientais, como poluição do solo e do ar, reforçando a necessidade de remoção urgente e de maior fiscalização sobre o transporte e destinação final dos resíduos da ilha.
Por nota, a Ambipar afirmou que identificou um volume superior de resíduos e reorganizou a operação, adotando uma série de medidas para ampliar a capacidade do sistema. A Ambipar disse ainda que tem desenvolvido trabalho de educação ambiental e engajamento da comunidade na Ilha e reforçou ainda o compromisso de atuar em diálogo permanente com a Administração de Fernando de Noronha, além de órgãos ambientais e com a comunidade local.
Confira na íntegra a nota da Ambipar:
Entre agosto de 2025 e março de 2026, a Ambipar transportou 2.551 toneladas de resíduos para fora de Fernando de Noronha, volume superior às 2.269 toneladas recebidas na Usina de Tratamento de Resíduos Sólidos (UTRS) no mesmo período, demonstrando a ampliação da capacidade operacional da gestão de resíduos na ilha. Desde que assumiu a gestão da UTRS em agosto de 2025, a Ambipar realizou um diagnóstico técnico que identificou passivos acumulados e a necessidade de reorganização da operação. O levantamento apontou um passivo de cerca de 2.241 m³ de resíduos volumosos e aproximadamente 2.371 m³ de resíduos de poda, além de materiais sem segregação adequada e estruturas deterioradas que dificultavam o manejo e transporte dos resíduos.
Desde então, a companhia vem implementando uma série de medidas para ampliar a capacidade do sistema. Nos últimos 20 dias, foram realizadas 7 viagens marítimas, resultando na retirada de 588 toneladas de resíduos, volume significativamente superior às 350 toneladas mensais previstas contratualmente para o período. Como parte do reforço operacional, a Ambipar mobilizou novas embarcações próprias, contratou embarcações terceiras e ampliou os turnos de trabalho até que a situação do passivo seja sanada.
Com essas medidas, a capacidade logística da operação pode alcançar até 830 toneladas por mês, enquanto a geração média estimada de resíduos na ilha é de cerca de 378 toneladas/mês, permitindo não apenas atender à geração atual, mas também reduzir progressivamente o passivo recebido. A companhia também mobilizou novos equipamentos para melhorar o processamento e a organização dos resíduos na UTRS, incluindo triturador para podas, escavadeira elétrica, caminhão roll-on e caixas roll-on, ampliando a eficiência do sistema de manejo e transporte.
Paralelamente às ações operacionais, a Ambipar vem desenvolvendo iniciativas de educação ambiental e engajamento da comunidade, com campanhas de conscientização sobre separação de resíduos, ações em escolas e mutirões de limpeza, além de comunicação permanente com moradores e visitantes da ilha.
“A gestão de resíduos em Noronha exige uma engenharia logística específica e atuação integrada entre operação, poder público e comunidade. Nosso foco é ampliar continuamente a capacidade do sistema para garantir estabilidade operacional e evoluir para um modelo cada vez mais sustentável de gestão de resíduos na ilha”, afirma Mariana Leão, diretora da Ambipar.
A Ambipar reforça seu compromisso de atuar em diálogo permanente com a Administração de Fernando de Noronha, órgãos ambientais e a comunidade local, com o objetivo de consolidar soluções estruturais para a gestão de resíduos e contribuir para que o arquipélago se torne referência internacional em sustentabilidade.


