Coluna da quarta | Janela está aberta

A partir de hoje, a política entra oficialmente em modo de rearrumação. Abre-se a chamada janela partidária, período em que deputados podem trocar de legenda sem risco de perder o mandato. O prazo segue até o dia 4 de abril e deve provocar uma intensa movimentação nos bastidores da política nacional e, sobretudo, em Pernambuco. […]
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A partir de hoje, a política entra oficialmente em modo de rearrumação. Abre-se a chamada janela partidária, período em que deputados podem trocar de legenda sem risco de perder o mandato. O prazo segue até o dia 4 de abril e deve provocar uma intensa movimentação nos bastidores da política nacional e, sobretudo, em Pernambuco.

É nesse intervalo que muitos parlamentares ajustam suas posições no tabuleiro, buscando partidos com maior viabilidade eleitoral, melhores estruturas e alinhamentos políticos mais claros para o projeto de 2026. As conversas que já vinham acontecendo nos bastidores tendem, agora, a ganhar forma concreta, com anúncios, novas filiações e, em alguns casos, mudanças estratégicas de rota.

A janela também serve como momento de definição para quem pretende disputar mandato este ano. Pré-candidatos precisam escolher a legenda pela qual irão concorrer, fechando alianças e consolidando espaços dentro das chapas proporcionais ou majoritárias. É quando os partidos passam a organizar suas nominatas e medir o peso político de cada reforço que chega.

Outro fator que corre no mesmo relógio é o prazo de desincompatibilização. Até o dia 4 de abril, gestores e ocupantes de cargos públicos que pretendem disputar as eleições precisam deixar suas funções. Prefeitos, secretários e dirigentes de órgãos públicos começam a avaliar o momento de sair do cargo para entrar de vez no jogo eleitoral.

Na prática, a janela aberta significa que o xadrez político começa a ser reorganizado de forma mais visível. O que antes era apenas conversa reservada passa a se traduzir em movimentos concretos. E, como sempre acontece nesse período, cada mudança de partido carrega consigo efeitos em cadeia que podem redesenhar alianças e estratégias para a eleição que se aproxima.

ENCONTRO MARCADO – O prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, e o senador Humberto Costa se reúnem hoje, em Brasília, com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, para discutir as estratégias da eleição em Pernambuco. João busca o apoio formal do PT antes de deixar a Prefeitura; Humberto quer saber a chapa.

8 OU 80 – Diante da possibilidade de Marília Arraes disputar o Senado, observadores da política não veem meio termo no cenário. Parte avalia que o movimento pode beneficiar o senador Humberto Costa na busca pela reeleição, já que ele poderia herdar o segundo voto do eleitorado de Marília. Outros, porém, enxergam o efeito contrário e consideram que a entrada dela na disputa poderia inviabilizar o projeto do petista ao disputar diretamente o mesmo espaço e colocar em risco a permanência de Humberto no Senado.

FRASE DO DIA: “Tudo absolutamente resolvido, a relação com o PT é a melhor possível”, disse o prefeito João Campos.

RÁPIDAS

GUERRA DAS CHAPAS – Ao longo deste mês, os presidentes de partidos devem circular com o tradicional “bloquinho de notas” em mãos para apresentar a viabilidade e a atratividade de suas respectivas chapas. A disputa agora é convencer nomes competitivos a entrar no projeto de cada legenda.

ARQUIVOU – Como já era esperado, o presidente da Câmara do Recife, Romerinho Jatobá, arquivou o pedido de abertura de CPI apresentado pela oposição, mesmo após o grupo ter alcançado a 13ª assinatura necessária. Aliado do prefeito João Campos, Romerinho fez o dever de casa e barrou o avanço da investigação proposta pelos vereadores oposicionistas.

APOSTA ALTA – A governadora Raquel Lyra tem demonstrado que não desistiu de atrair o MDB para sua órbita política, tampouco o senador Fernando Dueire. Ao exibir sintonia com o parlamentar nas redes sociais, Raquel sinaliza que aposta na articulação nacional, com a interlocução de Kassab, para tentar trazer o apoio da sigla emedebista, que hoje está alinhada ao projeto do prefeito João Campos.

PINGA-FOGO: Quem sairá maior após a janela eleitoral?

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