A assinatura do contrato de concessão do Metrô do Recife deve ocorrer no primeiro trimestre de 2027, conforme anunciado pelo secretário estadual de Projetos Estratégicos, Rodrigo Ribeiro, em audiência pública realizada nesta quinta-feira (5), no Centro de Convenções. O projeto prevê que a operação do sistema seja transferida à iniciativa privada por meio de um leilão na B3, em São Paulo, contando com um aporte federal de aproximadamente R$ 4 bilhões destinados à requalificação completa da rede. Atualmente em fase de discussão pública, a proposta ainda passará por ajustes e análises do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e da União (TCU) antes da publicação do edital. Mesmo após a assinatura prevista, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) continuará à frente da gestão por seis meses para garantir a transição.
O plano de investimentos da futura concessionária inclui a compra de novos trens, a substituição de dormentes e a modernização de estações, subestações e da rede aérea. Enquanto as melhorias estruturais de longo prazo não são concluídas, o governo planeja utilizar composições usadas para reforçar a operação imediata do sistema. Além disso, a gestão estadual assegurou que existe uma garantia da União para a preservação dos empregos dos atuais metroviários durante o processo de transferência. A proposta busca reverter o quadro de deterioração do modal, que atende milhares de passageiros diariamente na Região Metropolitana do Recife.
Apesar das projeções do governo, o modelo de concessão enfrenta forte resistência do Sindicato dos Metroviários, que participou da audiência criticando a desestatização. A categoria argumenta que o sucateamento do metrô é fruto de anos de falta de investimento público federal e defende que a infraestrutura seja recuperada pelo Estado sem a entrega à iniciativa privada. Os representantes sindicais classificaram a promessa de trens antigos como insuficiente para resolver problemas críticos nos trilhos e na rede aérea, citando um descarrilamento ocorrido na última quarta-feira (4) como um exemplo direto do atual descaso com o sistema.


