Por Maria Luna
Em Feira Nova, no Agreste pernambucano, um jovem rapaz tinha um sonho: mudar a realidade da família por meio da reforma da casa de sua mãe, que foi construída na década de 1980.
“Como eu fazia arquitetura [em Recife], toda vez quando voltava pra Feira Nova eu sabia que a casa podia ser melhor. Então, eu entendi que a casa era muito doente, de certa forma. Porque a gente tinha um pé direito baixo, tinha muita insalubridade, quando dava meio-dia a gente precisava ligar a luz elétrica pra poder iluminar a casa, e a gente mora numa região que tem muito sol. Então, a casa não conversava com o ambiente externo e eu sempre fazia essas indagações pra mãe, e ela também estava começando a ficar doente por conta de doenças respiratórias” explica o arquiteto.

Depois de muito insistir, Zé Vágner, de 34 anos, formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Pernambuco, convenceu dona Marinalva, mais conhecida como “mainha”, a finalmente fazer a reforma.
“Foi um negócio muito artesanal, de certa forma. Não houve um projeto, não houve uma aprovação. Era o pedreiro derrubando e eu fazendo o projeto do lado e a gente foi fazendo tudo na hora. Foi uma experiência muito laboratória. Eu tive muito do que acreditava que era relevante, que funcionava desde a parte de materiais, que são bem adaptados ao calor dos trópicos, mas também fazendo com que a casa captasse o vento que incidia sobre ela, pudesse circular internamente. Ela [Marinalva] queria uma casa mais ventilada, sem mofo, mais iluminada, que tivesse esse conforto ambiental em evidência e foi o que a gente fez”, ressalta.

Durante a obra, cinco ambientes subutilizados foram demolidos, o que garantiu a ampliação da sala, a construção de um jardim interno e um terraço aberto. As portas de entrada foram restauradas e protegidas com placas de concreto pré-moldado, o muro da fachada foi mantido, a pedido de Dona Marinalva, e ganhou uma forma vazada com tijolos cerâmicos inspirada na forma que as olarias empilham as peças para secagem.
Graças a determinação de trazer melhorias para moradia de sua família, Zé Vágner conquistou o ArchDaily Building of the Year, na categoria Casas.
“Foi maravilhoso, na verdade. Foi difícil cair a ficha, ainda é difícil. Tem horas que a mãe fala que não acredita no que está acontecendo, ela pergunta se é verdade mesmo, que essa casa ganhou esse prêmio. Porque é uma casa simples né, e o fato de ser em Feira Nova, que é uma cidade que as pessoas não conhecem muito. Todo mundo na rua para, eu entro na academia e o povo me aplaude, eu fico muito sem graça, mas vejo que o pessoal se identificou com o processo. Todo mundo louco, meio que ganhou junto, a sensação que eu tenho é essa”, afirma.

Dizem por aí que todo pernambucano tem mania de grandeza, mas fica difícil negar esse rótulo quando a melhor casa do mundo fica em Pernambuco.
Ficha técnica – Supervisão: Daniele Monteiro; Edição: Evandro Chaves; Reportagem: Maria Luna










