Ignêz Andreazza: crianças vítimas de incêndio morreram carbonizadas; fogo começou no quarto

A Defesa Civil do Recife interditou dois apartamentos do edifício

Um incêndio em um dos apartamentos do bloco 342 do Conjunto Ignez Andreazza, no bairro de Areias, na Zona Oeste do Recife, deixou duas crianças mortas carbonizadas, de 9 e 11 anos, e outras três pessoas feridas: o pai dos meninos, Rodrigo Lira, de 39 anos, a mãe, identificada como Poliana, de 44 anos, e o avô, Antônio Lira, de 78 anos. O incêndio ocorreu por volta das 3h30 desta quinta-feira (19).

Segundo o HR, apenas Rodrigo recebeu alta. Já a mãe e o avô permanecem internados com quadro de saúde estável. Outra filha do casal, de cinco anos, também estava no apartamento no momento do incêndio, mas não se feriu. Ela ficou sob os cuidados de vizinhos. As chamas atingiram o apartamento 204 do bloco 342.

Para a CBN Recife, um amigo da família, que preferiu não se identificar, contou que as crianças dormiam com o avô, enquanto que os pais estavam em um outro quarto, com uma filha pequena. Um lençol branco foi colocado na janela em que os meninos tentaram acessar para escapar do fogo.

Após vistoria realizada pelos técnicos, a Defesa Civil do Recife decidiu interditar dois apartamentos do edifício, incluindo o que foi atingido pelas chamas. Apesar de haver trincas, rachaduras e portas danificadas, não foi identificado comprometimento estrutural no apartamento 204. O local ficará interditado até que sejam feitos os serviços de recuperação, com acompanhamento de um profissional habilitado. O fogo teve origem próximo a porta de um dos três quartos da residência.

Já no apartamento 104, que fica abaixo do que pegou fogo, foi identificada forte infiltração por conta do acúmulo de água usada para apagar as chamas. Por isso, os moradores foram orientados a permanecer em casa de familiares.

O subsíndico do residencial, Jadson Almeida, conversou com a CBN Recife e contou sobre a situação do apartamento, onde muitos materiais foram encontrados e podem ter contribuído para que as chamas se alastrassem.

“(O morador) era um tipo de acumulador. Ele trabalhava com eletrônicos, e isso dificultou o acesso ao apartamento onde estavam as duas vítimas. Então, começamos o combate ao incêndio até a chegada do Corpo de Bombeiros, que aproximadamente em dez minutos chegaram. Graças à nossa equipe não teve um transtorno maior. Conseguimos confinar o incêndio só em um apartamento, mas a princípio, o fogo começou dentro do quarto das crianças”, disse.

O morador Mário Cáliman foi quem acionou o Corpo de Bombeiros assim que percebeu os gritos vindos do apartamento. “Eu acordei com gritos. Aí fui até a varanda para ver de onde estava vindo esses gritos e identifiquei muita fumaça saindo do prédio, do segundo andar. E falei, pronto, isso é grito de socorro. Foi quando eu acionei os bombeiros. Ainda não tinha nenhuma ocorrência no residencial, aí eu faleu ‘venha que está pegando fogo aqui’. Chamei o Samu e fui socorrer. Desci no instinto de ajudar. Cheguei, a família já estava muito abalada, o pai já estava muito sujo de fuligem. Todo mundo do prédio sendo evacuado”, relatou. Abalado, Mário também relatou que inalou muita fumaça e que sofreu uma leve queimadura em uma parte do braço direito.

Morador acionou o Corpo de Bombeiros e tentou salvar crianças. Foto: Lucas Arruda/CBN Recife

As causas do incêndio são investigadas pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) por meio da Delegacia de Afogados. No início da manhã, peritos do Instituto de Criminalística (IC) também estiveram no local.

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