Coluna do domingo | Uma campanha nacionalizada

Por Lucas Arruda O discurso da senadora Teresa Leitão (PT) no lançamento da pré-candidatura de João Campos (PSB) ao governo do estado deu um indicativo sobre como serão os próximos dias. Talvez semanas. Cristalizado o fato de que o Partido dos Trabalhadores (PT) tem um rito próprio para definir seus caminhos, como nenhuma outra legenda […]

Por Lucas Arruda

O discurso da senadora Teresa Leitão (PT) no lançamento da pré-candidatura de João Campos (PSB) ao governo do estado deu um indicativo sobre como serão os próximos dias. Talvez semanas. Cristalizado o fato de que o Partido dos Trabalhadores (PT) tem um rito próprio para definir seus caminhos, como nenhuma outra legenda tem igual, Teresa não se furtou em dizer que, assim como na conjuntura nacional, Lula quer que o PT e PSB caminhem juntos em Pernambuco.

“Este é o palanque em que Lula não terá nenhum vexame em subir, porque aqui ninguém está colocando condicionantes para o presidente subir”, disse a senadora. Uma mensagem à oposição, claro, mas sobretudo aos membros do próprio PT. E porque não dizer, à Federação formada com PCdoB e PV. No evento, o PCdoB apareceu no retrato, se fez presente. O PV, por sua vez, levou um puxão de orelha da senadora: “A gente precisa fazer esse debate no âmbito da Federação”. Eis aí o pulo do gato. 

Ranhuras entre PT e PSB são tradicionais na política pernambucana. Cada eleição a seu modo. O que cabe hoje refletir é o quanto o diretório nacional do PT e o Palácio do Planalto serão capazes de interferir na ranhura – e nos interesses – da vez em Pernambuco. Até dia 28, quando o diretório estadual definirá sua estratégia eleitoral depois de escutar todas as regiões, há muito chão.

E depois de uma semana onde as certezas viraram pó em questão de segundos, com viradas de mesa a todo instante, os holofotes se viram para Raquel e as suas escolhas. Aqui falo dos nomes para vice e ao Senado, mas também da relação de proximidade com o presidente Lula. Afinal, o outro lado já caminha para utilizar um importante argumento a seu favor: a memória. Assim entramos em mais uma semana onde Brasília vira uma extensão do Recife.

MOVIMENTOS – Com Haddad pré-candidato ao governo de São Paulo e Simone Tebet filiada ao PSB para disputar uma vaga ao Senado, Lula trabalha na formação de uma chapa competitiva em um estado muito difícil de ganhar. Nessa equação, o presidente vê Alckmin como um bom nome para a segunda vaga ao Senado, capaz de captar o voto da centro-direita. Marina Silva, de saída da REDE e também cotada ao Senado, pode ficar como vice de Haddad. Um emaranhado onde também entram os interesses do PSOL.

O OLHO DE CIRO – Amargamente derrotado nas últimas duas eleições presidenciais, com destaque para 2022, Ciro Gomes (PSDB) parece enxergar uma brecha para voltar ao jogo na possível delação de Daniel Vorcaro – e no quanto isso pode abalar Brasília. Ao UOL, disse que está concentrado no Ceará, mas se coçando de olho no Brasil. Ele também bota os impactos no país causados pelos conflitos no Oriente Médio. Seria a releitura da terceira via?

FRASE DO DIA: “Estão querendo nos colonizar outra vez. Não é possível alguém achar que é dono dos outros países”, disse Lula em fala sobre a defesa das terras raras contra países ricos.

HOMOLOGAÇÃO – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pautou para esta quinta-feira (26) a análise da homologação da Federação União Progressista. PP e União Brasil serão importantes personagens dos próximos dias em Pernambuco.


SAÚDE – A secretária de Saúde de Pernambuco, Zilda Cavalcanti, fez questão de destacar que o estado foi o segundo no país com mais unidades que aderiram ao mutirão do Ministério da Saúde (MS) dedicado às mulheres. “É um trabalho conjunto”, comentou.

BOLA DENTRO – Para a Amupe, que em articulação com os prefeitos definiu um teto para o pagamento de cachês artíticos.

BOLA FORA – Para a deputada paulista Fabiana Bolsonaro (PL), que achou de bom tom fazer “blackface”, em pleno 2026, na tribuna da Alesp. Simplesmente não há cabimento.

PINGA-FOGO: Com Lula no palanque de João, Raquel será neutra mais uma vez?

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