Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estão realizando um estudo para entender o impacto dos sapos-cururu (Rhinella diptycha) na fauna em Fernando de Noronha. Na Ilha, quase metade dos animais desta espécie apresentam alterações.
Por meio das redes sociais do Laboratório de História Natural de Anfíbios Brasileiros (LaHNAB), que realiza a pesquisa, e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a doutoranda da Unicamp, Mariana Carvalho, contou que a situação começou a ser estudada há cerca de 16 anos. “Aqui na no Arquipélago de Fernando de Noronha, as taxas das deformidades para essa espécie chegam até 50%, e esse é um dado histórico que vem sido coletado desde 2009, mais ou menos. Essa taxa ultrapassa muito a taxa encontrada em ambientes naturais do continente, onde um uma taxa normal chega até 10%”, explicou a pesquisadora.

No total, 250 sapos estão sendo analisados, e o estudo do conteúdo estomacal dos animais deve levar cerca de seis meses. A pesqisadora ainda disse que a causa das deformidades está sendo investigada. “Estamos tentando entender se tem alguma relação entre as deformidades apresentadas nos membros e nos olhos da espécie com o perfil de contaminação metálica na ilha”.
A espécie foi introduzida em Fernando de Noronha há mais de 100 anos para o controle de pragas, mas não cumpriu com a função. Os animais podem se alimentar de espécies endêmicas, ou seja, que só existem na ilha, o que futuramente pode prejudicar o meio ambiente.


