Coluna da terça | A chapa de Raquel 

A governadora Raquel Lyra começa a entrar na fase final de montagem da sua chapa majoritária. O passo mais recente foi a chegada do deputado federal Túlio Gadelha ao PSD, legenda da governadora, já com a condição de pré-candidato ao Senado. A movimentação, antecipada por este blog na semana passada, não é isolada: ela se […]
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A governadora Raquel Lyra começa a entrar na fase final de montagem da sua chapa majoritária. O passo mais recente foi a chegada do deputado federal Túlio Gadelha ao PSD, legenda da governadora, já com a condição de pré-candidato ao Senado. A movimentação, antecipada por este blog na semana passada, não é isolada: ela se encaixa em uma lógica maior de composição política que Raquel vem construindo desde o início do ano alinhada com setores do Planalto. 

Com Túlio, a governadora amplia o diálogo com setores progressistas e se aproxima, ainda que de forma indireta, do campo ligado ao presidente Lula. O histórico do deputado, com passagem pelo PDT e Rede reforça essa ponte com o lulismo.

Ao mesmo tempo, a outra vaga ao Senado segue sob a órbita da Federação União Progressista, que deve indicar o nome. Nesse cenário, surgem como possibilidades o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente da federação em Pernambuco. A escolha será determinante para equilibrar o peso político da aliança e consolidar a base da governadora.

Na prática, Raquel avança para fechar uma chapa plural, com capacidade de diálogo em diferentes espectros ideológicos. É uma repetição, com ajustes, da estratégia que a levou à vitória na eleição passada: ocupar o centro do debate, somar forças distintas e evitar amarras a um único palanque.

VOTO FRAGMENTADO – Com a entrada de Túlio Gadelha na disputa pelo Senado, o campo da esquerda passa a ter três nomes no cardápio em Pernambuco: a ex-deputada Marília Arraes, o senador Humberto Costa, que busca a reeleição, e o próprio Túlio. O cenário tende a pulverizar os votos desse segmento, criando uma disputa onde não basta liderar isoladamente — vencerá quem conseguir capturar também o segundo voto do eleitorado, fator que pode ser decisivo no resultado final.

ELEIÇÃO A PARTE – A impressão que fica é que a eleição para o Senado em Pernambuco caminha para ser uma disputa à parte da corrida pelo governo. Com protagonismo próprio, os candidatos terão que construir identidade, se diferenciar nos debates, como os previstos para setembro, e buscar estratégias específicas para garantir votos em uma eleição cada vez mais independente e decisiva.

FRASE DO DIA: “Eu sou candidato a deputado e vou apoiar Anderson Ferreira para senador. Até agora só tenho um senador”, disse o deputado Mendonça Filho. 

GOL DE PLACA – O deputado federal Mendonça Filho fez um gol de placa ao garantir sua filiação ao PL. Pelas contas internas, deve figurar entre os cabeças de chapa, ao contrário do cenário na federação anterior, onde corria risco real de não se eleger. De quebra, ainda se posiciona como opção ao Senado, caso Anderson Ferreira opte por voltar à disputa por uma vaga na Câmara Federal.

EM ALTA – A deputada estadual Delegada Gleide Ângelo, recém-filiada à Federação União Progressista, vem aparecendo muito bem nas pesquisas internas na Região Metropolitana do Recife. Com a pauta da segurança em alta, ela desponta com potencial para figurar entre as mais votadas da eleição deste ano.

SENADOR À DIREITA – Com a esquerda fragmentada em três candidaturas, cresce a avaliação de que um nome à direita pode correr por fora e garantir a segunda vaga ao Senado em Pernambuco. Nesse cenário, um candidato ligado ao bolsonarismo passa a aparecer como opção viável, beneficiado pela divisão do campo adversário e pela possibilidade de consolidar um voto mais unificado.

PINGA-FOGO: Raquel vai fechar a chapa ou deixará a vice em aberto para atrair mais gente?

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