A política é também disputa de símbolos. E os dois atos desta quinta-feira deixaram isso escancarado em Pernambuco. Mais do que agendas administrativas ou movimentos isolados de campanha, o que se viu foi o desenho cada vez mais nítido dos eixos que devem nortear a guerra eleitoral entre João Campos e Raquel Lyra neste ano.
O primeiro ato foi o movimento em torno do lulismo. Ficou claro que a briga para saber quem estará mais perto do presidente Lula será central na campanha. De um lado, a Frente Popular trabalha para consolidar a tese de que João Campos será o único palanque de Lula em Pernambuco. Do outro, a filiação de Túlio Gadelha ao grupo da governadora embaralha esse jogo ao puxar o presidente um pouco mais para perto de Raquel. Ao se colocar como senador de Lula e defensor da reeleição do petista, Túlio oferece à governadora um discurso que tenta quebrar a ideia de isolamento junto ao campo lulista.
O segundo ato foi ainda mais simbólico: a disputa pela bandeira de Pernambuco. Há tempos Raquel Lyra vem se apropriando politicamente desse emblema, associando sua imagem ao símbolo maior do estado e alimentando uma narrativa de pertencimento, identidade e pernambucanidade. Não é algo trivial. Em eleição majoritária, símbolos importam. E muito.
João Campos percebeu isso. No seu último discurso como prefeito do Recife, horas da renúncia, empunhou a bandeira de Pernambuco e mandou um recado direto, ainda que sem citar nominalmente a adversária: disse que a bandeira não pertence a ele nem a nenhum político. Foi uma forma clara de reagir ao que seu grupo enxerga como um apoderamento desse símbolo pela governadora.
No fundo, o que aconteceu nesta quinta foi a apresentação dos dois campos de batalha que devem dominar a eleição: a guerra pelo lulismo e a guerra pelos símbolos de Pernambuco. Lula, de um lado. A bandeira, do outro. A campanha nem começou oficialmente, mas a narrativa já está em curso.
AGENDA DE PRÉ-CANDIDATO – Agora ex-prefeito do Recife, João Campos começou sua agenda de pré-campanha pelo interior de Pernambuco. O socialista participa nesta sexta-feira (3) da tradicional encenação da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Fazenda Nova, distrito de Brejo da Madre de Deus. No sábado (4), cumpre agenda em Bonito, no Agreste, com passagem pela feira livre da cidade. Já na segunda-feira (6), o roteiro avança para o Sertão, com compromissos em Ipubi e Santa Cruz.
AGENDA DE ENTREGAS – A governadora Raquel Lyra vem imprimindo um ritmo acelerado de agendas pelo estado, combinando entregas administrativas com movimentos políticos. O exemplo mais recente foi em Caruaru, onde cumpriu uma programação intensa de ações de governo, reforçando sua presença no Agreste. No mesmo contexto, também ganhou destaque o ato político que marcou a filiação de Túlio Gadelha ao PSD e a confirmação de sua pré-candidatura ao Senado.
FRASE DO DIA: “Raquel tem votos de esquerda e o presidente Lula sabe disso”, disse o agora pré-candidato ao Senado, Túlio Gadelha.
RÁPIDAS
VOTO DE SENADOR – Recém-filiado ao PL, o deputado federal Mendonça Filho declarou voto no ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, para o Senado, reforçando a articulação do campo conservador em Pernambuco na disputa deste ano.
COM O PAPA – O prefeito da Vitória de Santo Antão, Paulo Roberto, teve um encontro com o Papa Leão durante as celebrações da Semana Santa no Vaticano, em agenda que reforça a presença institucional do município no cenário internacional.
PINGA-FOGO: Quem ganhará a narrativa dos símbolos?


