Coluna do domingo | O fim de uma novela

Se você conferiu minimamente o noticiário político em Pernambuco nos últimos quatro meses, pelo menos, deve ter visto algumas vezes essas três letrinhas: L-O-A, que juntas deram muita dor de cabeça para quem cobre a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Orçamento é definição de prioridade, sobretudo quanto ao que se pode gastar e onde. Mas […]

Se você conferiu minimamente o noticiário político em Pernambuco nos últimos quatro meses, pelo menos, deve ter visto algumas vezes essas três letrinhas: L-O-A, que juntas deram muita dor de cabeça para quem cobre a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Orçamento é definição de prioridade, sobretudo quanto ao que se pode gastar e onde. Mas em 2026,  a Lei Orçamentária Anual ganhou ares de novela das 21h, com direito a reviravoltas e alguns capítulos sem nenhum sentido.

Para não perder muito tempo, quando o texto foi aprovado, no ano passado, previa que o governo estadual pudesse remanejar apenas 10% por cada órgão/secretaria, algo inviável para base governista, que sustentou a necessidade de 20% de modo geral. No meio do caminho, um nó se fez, e quem o fez deixou de ser oposição e passou a ser base do governo: o deputado Antônio Coelho (UB), em alinhamento à estratégia política do partido para as eleições. 

Passado o envio de projeto extraordinário por Raquel Lyra (PSD), inúmeras sessões de “vota, não vota”, judicialização, esvaziamento do plenário, e a narrativa “tem orçamento, não tem”, uma ligação resolveu a bronca. E muitos parlamentares, como o deputado Diogo Moraes (PSB), entendiam que só poderia ser assim: com Álvaro Porto (MDB), presidente da Alepe, e a governadora, entrando em consenso. “Isso estava esticando muito e estávamos começando a ficar incomodados”, disse Moraes à Coluna no dia da sessão.

E se esticou tanto a corda que agora fica a sensação de que não há mais o que se discutir na Alepe neste ano. Mas não é bem assim. Outros pedidos de remanejamento serão feitos pelo Executivo, há pautas caras para Pernambuco que precisam andar mesmo em ano eleitoral, tem a redefinição das comissões após o fim da janela partidária. Talvez a pergunta que precisa ser respondida é: o consenso entre base e oposição serviu só para acabar com o leriado da LOA? Eis a sua nova novela das 21h, não perca!

EXPECTATIVA – Começa nesta segunda (27) o 9º Congresso Pernambucano de Municípios, promovido pela Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe). Com novo local, formato e proposta, o congresso ocorre em meio a um momento de valorização para a Amupe e seu presidente, Pedro Freitas (PP), que foram personagens importantes para destravar as mudanças na LOA. No evento, expectativa para a participação do ministro Flávio Dino, do STF, com a palestra sobre transparência nas emendas parlamentares e autonomia municipal

QUAEST – Na terça (28), tem pesquisa Quaest em Pernambuco medindo as intenções de voto para governo estadual, Senado e presidente da República, além da avaliação dos governos de Raquel Lyra (PSD) e Lula (PT). De olho!

Frase do dia: “Uma coisa continua me preocupando: as provocações e cobranças dentro do nosso próprio time”, disse Flávio Bolsonaro (PL) em meio a nova contenda entre Nikolas Ferreira e Jair Renan.

MDB – No Recife, o MDB agora tem como presidente o vereador Samuel Salazar. A decisão foi oficializada pelo partido durante convenção realizada na Câmara Municipal neste sábado (26). Respectivamente, 1º e 2º vice-presidentes são Tadeu Calheiros e Fabiano Ferraz. O presidente da legenda no estado, Raul Henry, participou do momento.

PT – O manifesto do PT ao povo brasileiro, que será divulgado neste domingo (26), no último dia do congresso do partido, deve evitar contendas e destacar pautas caras à reeleição de Lula, como o fim da escala 6×1 e a proposição de reforma no sistema político. Trechos com menções ao Banco Master e a família Bolsonaro foram retirados do documento para não tirar o foco.

BOLA DENTRO – Para o fim da quase interminável discussão da Lei Orçamentária Anual na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

BOLA FORA – Para o ministro Gilmar Mendes e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que voltaram à 5ª série do Fundamental.

PINGA-FOGO: Quem saiu maior com o fim da novela da LOA: a Alepe, o Palácio ou a Amupe?

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