O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) solicitou que o delegado Luiz Alberto Braga, que atirou na perna de um ambulante durante uma festa em Fernando de Noronha, vá a júri popular. A vítima, Emmanuel Pedro Apory, teve a perna amputada após o ocorrido.
No pedido, o promotor Fernando Cavalcanti Mattos argumenta que a discussão entre os dois e o disparo foi um ato premeditado, fruto de um “ciúme doentio”. Por sua vez, a defesa do delegado criticou, em nota, a peça apresentada pelo Ministério Público. Segundo ela, a solicitação abandona a objetividade técnica e, em alguns pontos, “representa ofensa pessoal” contra o réu.
Um dia antes do ocorrido, Emmanuel havia conversado com a namorada do delegado, a nutricionista Thamires Silva, em uma academia. De acordo com o promotor, todas as testemunhas ouvidas no processo confirmaram a versão de que o ambulante havia conversado com ela apenas por “interesse na sua atividade profissional”, e por isso os dois trocaram os números de telefone.
O MPPE argumenta que, ao saber da interação, o delegado já teria planejado o ataque. O promotor ainda apontou que Braga “fugiu do local do confronto” sem prestar socorro à vítima porque a suposta abordagem policial “foi o resultado final” de um crime premeditado.
O delegado foi indiciado por lesão corporal gravíssima em maio de 2025. Em junho do mesmo ano, a Justiça aceitou a denúncia e o tornou réu por tentativa de homicídio duplamente qualificado. Em uma audiência realizada já no início deste ano, a defesa do delegado alegou que o episódio se tratou de legítima defesa.

A decisão sobre o pedido do MPPE para que o processo seja decidido por meio de um júri popular cabe ao juiz do caso. Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), esse tipo de júri pode ser utilizado em casos de homicídio doloso (quando há ou se assume o risco de matar), infanticídio, aborto e instigação ao suicídio.


