Coluna da terça | Lula entre o palanque e a relação institucional em Pernambuco

A reação do presidente Lula diante das chuvas em Pernambuco expôs, mais uma vez, a linha tênue entre política e institucionalidade em ano eleitoral. Nos primeiros momentos da crise, Lula fez questão de dar destaque público à ligação recebida do ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, ao lado do senador […]
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A reação do presidente Lula diante das chuvas em Pernambuco expôs, mais uma vez, a linha tênue entre política e institucionalidade em ano eleitoral. Nos primeiros momentos da crise, Lula fez questão de dar destaque público à ligação recebida do ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, ao lado do senador Humberto Costa. O registro nas redes sociais não foi casual. Serviu para reforçar a conexão política com seus aliados locais e sinalizar ao eleitorado pernambucano quem está no seu campo de preferência na disputa estadual.

Mas Lula também tratou de equilibrar o gesto com um movimento institucional. Ligou para a governadora Raquel Lyra, determinou a ida imediata do ministro Waldez Góes a Pernambuco e autorizou a mobilização de cerca de R$ 300 milhões em ações para enfrentamento e contenção dos impactos das chuvas nas 27 cidades em situação de emergência. O gesto foi um recado claro de que, apesar da preferência política evidente, o Planalto tentará preservar a relação institucional com o governo do estado.

No fim, Lula segue a velha máxima do matuto nordestino: dá uma pancada na roda e outra no eixo. Prestigia politicamente João no primeiro movimento, mas em seguida reforça institucionalmente a parceria com Raquel, numa demonstração de que, em Pernambuco, o presidente tenta jogar em mais de um tabuleiro ao mesmo tempo.

DE OLHO NA ELEIÇÃO – Mesmo longe das agendas tradicionais de pré-campanha, o ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, esteve em Brasília em reunião com a ministra Miriam Belchior, da Casa Civil, para cobrar ações e investimentos para Pernambuco. O movimento reforça a estratégia de João de atuar desde já como articulador de pautas para o estado, em gesto que também carrega evidente sinalização eleitoral de olho na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.

AGENDA EM BRASÍLIA – A governadora Raquel Lyra cumpre agenda nesta terça-feira em Brasília, onde terá reuniões com diversos ministros do governo Lula para tratar de ações emergenciais e estruturadoras voltadas aos municípios atingidos pelas chuvas em Pernambuco. Entre os encontros previstos estão agendas com a ministra Miriam Belchior, o ministro Waldez Góes e outros integrantes de pastas ligadas diretamente às áreas de infraestrutura, desenvolvimento regional e assistência emergencial. O movimento reforça a ofensiva institucional do estado em busca de apoio federal para enfrentar os impactos do período chuvoso.

FRASE DO DIA: “Estou aqui em nome do presidente Lula, que tem falado comigo todos os dias sobre os eventos aqui em Pernambuco. Também tem falado com as autoridades, como a governadora Raquel Lyra, e mandou vir pessoalmente acompanhar a situação das chuvas em Pernambuco”, disse o ministro Waldez Góes. 

RÁPIDAS 

DESCONVERSOU – Questionada durante coletiva sobre a atuação do ex-prefeito do Recife e pré-candidato João Campos no contexto das chuvas em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra preferiu desconversar e evitou comentar o assunto. 

PROPOSTA – O presidente da Alepe, Álvaro Porto solicitou ao Governo do Estado medidas emergenciais para vítimas das chuvas, como auxílio financeiro a desabrigados, crédito para pequenos comerciantes e criação de um sistema estadual de doações para centralizar arrecadação e distribuição de donativos.

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