Troca de corpos no Recife provoca sofrimento e batalha judicial entre famílias; entenda

Erro de identificação no Serviço de Verificação de Óbito fez com que idosa fosse enterrada em cidade diferente da planejada; Justiça determinou exumação e traslado dos corpos

Duas famílias passaram por momentos de angústia após uma troca de corpos registrada no Serviço de Verificação de Óbito (SVO) do Recife. O erro de identificação fez com que Railda Mendes Malafaia, de 77 anos, fosse enterrada no lugar de Anerina Maria da Silva, de 80, em Carpina, na Zona da Mata Norte de Pernambuco.

O caso só veio à tona quando André Malafaia, filho de Railda, chegou ao velório da mãe, realizado no Cemitério de Santo Amaro, no Centro do Recife, e percebeu que a mulher no caixão não era ela. A partir daí, familiares iniciaram uma busca para entender o que havia acontecido.

Segundo André, a confirmação do erro ocorreu após a verificação do NIC (Número de Identificação de Cadáver), utilizado pela Polícia Científica para identificar os corpos. De acordo com ele, os números das duas idosas haviam sido trocados ainda durante os procedimentos realizados entre o SVO e o Instituto de Medicina Legal (IML).

Railda morreu no domingo (3), no apartamento onde morava no bairro do Ipsep, na Zona Sul do Recife. Como ela possuía uma prótese na perna, o corpo precisou ser encaminhado ao IML antes da liberação para o funeral.

Com a troca das identificações, os laudos periciais também acabaram invertidos, causando ainda mais transtornos para as famílias envolvidas. Enquanto Railda foi sepultada em Carpina sem velório adequado, Anerina acabou sendo velada no Recife pela família errada.

Após descobrir o caso, os familiares de Railda recorreram à Justiça. Em decisão liminar expedida na terça-feira (5), o juiz Rafael Burgarelli Mendonça Telles determinou que o governo de Pernambuco realizasse, em até 48 horas, a exumação e o traslado dos corpos para que cada família pudesse fazer a despedida correta.

Até a manhã desta sexta-feira (8), segundo os parentes, a decisão judicial ainda não havia sido cumprida. A Procuradoria Geral do Estado (PGE) e a Secretaria de Defesa Social (SDS) foram procuradas, mas não se manifestaram sobre o caso.

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