A história de uma mãe universitária e a luta por um futuro no presente

Uma trajetória marcada por sonhos, responsabilidades e um amor incondicional

A maternidade é atravessada por fases que tornam a experiência única, ainda que também seja tão coletiva. O lugar de origem, a trajetória, os sonhos, os medos. Cada um desses elementos influencia a compreensão sobre “ser mãe”, que é marcada pela superação dos tantos desafios que aparecem no meio do caminho. E alguns, antes mesmo dele começar.

Para a estudante Letícia Costa, sair de Moreno, na Região Metropolitana do Recife (RMR), para cursar Ciências Biológicas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na capital, sempre foi uma determinação. E como para muitos jovens, a primeira grande conquista da vida adulta. Uma realização pessoal e dos tantos que sonharam antes dela.

No quinto período da graduação, uma descoberta viria para mexer com tudo: estava grávida do pequeno Theo Costa. Eram sonhos que se encontravam, mas não necessariamente quando ela esperava que fosse acontecer.

“Eu fiquei com bastante medo. A primeira coisa que eu fiz quando descobri a gravidez foi ver se eu tinha como conciliar, de casa, os estudos. Se eu não ia precisar trancar. Eu tinha muitos planos, de viajar, de fazer monitoria, de estar bastante presente nessa vida acadêmica. Então, para mim foi bastante chocante, mas eu nunca pensei em trancar o curso“, declarou.

Letícia conta que a parte mais difícil de conciliar a maternidade e a vida universitária são as demandas diárias. E nesse meio, quase não sobra tempo para ela. Segundo a professora da UFPE e coordenadora do projeto de extensão Maternagem, Mídia e Infância (MMI), Maria Collier, um dos pontos que mais escuta das mães na universidade é a solidão. Desde a falta de infraestrutura para quem precisa levar os filhos até a sala de aula, até o olhar atravessado dos professores e colegas de turma.

“E a gente começou a escutar relatos do professor dizer assim: “olha, pode ir embora, te dou presença”. E ela disse para a gente assim: ‘Eu só queria estar aqui para assistir aula’. Então, o que é que eu faço? Se não tem vaga na creche, se não tem como eu ficar. A gente começou a ler as pesquisas do IBGE e ver que, por exemplo, entre as mulheres que deixam de estudar, a gravidez ou a maternidade era mais de 23% do motivo”, destacou.

Letícia não queria entrar para essa estatística. E para isso, contou com a sorte de ter uma rede de apoio dentro de casa. Não é uma realidade para todas as mães universitárias. Quando precisa se concentrar um pouco mais nos estudos, às vezes deixa o pequeno Theo com a mãe ou com o próprio pai da criança. Às vezes não tem jeito, é esperar ele dormir e seguir madrugada adentro.

É isso ou deixar de estudar. Uma decisão que Letícia entende ser importante para o futuro do filho. “O que me faz continuar estudando, mesmo diante do constrangimento, é meu filho. Para mim, a educação é tudo. Eu sempre pensei assim, que é só por meio dela que eu vou conseguir vencer. E para quem vem de baixo, eu acho que é ainda mais importante”, finaliza.

Se conhecimento é o poder que faz Letícia estudar por si e pelo filho, a construção de uma universidade mais preparada e aberta para receber as mães estudantes é o que motiva uma luta diária. A história de Letícia Costa é a de uma mãe brasileira que batalha olhando para o hoje que está nascendo e para o amanhã que já nasceu.

Produção: Letícia Rodrigues
Edição: Daniele Monteiro
Reportagem: Lucas Arruda

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