Quem vai ao mercado regularmente percebeu que o gasto com o ramo de alimentação e bebidas foi maior no fim do mês passado. De acordo com o IPCA-15, que é a prévia oficial da inflação no país, o segmento saiu de 0,88% em março para 1,46% no indicador de abril, sendo o que mais pressionou as contas do brasileiro.
A cenoura (25,43%), a cebola (16,54%), o leite longa vida (16,33%), o tomate (13,76%) e as carnes (1,14%) foram os alimentos que mais influenciaram a alta sentida pelo consumidor, mas especialmente pelos comerciantes, como Mery Antônia. Ela é dona de um quiosque no Mercado de São José, na região central do Recife, onde trabalha há mais de 40 anos. A comerciante vende principalmente lanches e café da manhã.
“Os preços têm aumentado muito e a gente não pode (aumentar) porque, se eu já vendo num preço realmente barato, o vizinho não concorda em aumentar. E subiu a carne, eu também trabalho com queijo… tudo aumentou. No final, eu acabo ganhando pouquinho, quase nada. Só para dizer que estou trabalhando”, declarou.
A reportagem da CBN Recife caminhou pelo Mercado de São José para pesquisar o preço da principal vilã para os consumidores – a carne. Em média, é possível encontrar o quilo de cortes bovinos como patinho, coxão mole e alcatra a R$ 60. O peito de frango acaba sendo uma saída mais econômica, a R$ 15 o quilo.
E como não foi somente o preço das carnes que subiu, o custo da cesta básica é diretamente impactado. Um levantamento realizado pelo Procon-PE, entre os dias 1º e 9 de abril, identificou valor médio na Região Metropolitana do Recife (RMR) de R$ 742,79. O professor e economista Edgard Leonardo explica que fatores locais e internacionais contribuem para o cenário.
“É uma alta que, ainda no acumulado, se concentra dentro da expectativa. Mas a gente tem, além da entressafra da produção de alguns itens, problemas climáticos e o aumento no preço do petróleo. Isso vai sinalizar aumento no custo da ração, do frete dos insumos ligados ao processo produtivo do setor de alimentos. O barril de petróleo está acima da casa dos U$ 100 (dólares), mesmo momentâneas oscilações de queda, e isso influencia para o crescimento do processo inflacionário no Brasil”, pontuou.
Dentro da perspectiva das mudanças climáticas, com o início do El Niño – que aquece as águas do Oceano Pacífico – previsto para este mês, chuvas volumosas no Sul e Sudeste, além da escassez hídrica no Norte e Nordeste, devem impactar ainda mais a inflação dos alimentos até 2027.
Reportagem – Lucas Arruda


