A ex-vereadora e ex-secretária estadual de Justiça e Direitos Humanos Lucinha Mota, mãe da menina Beatriz Angélica Mota, assassinada em 2015 dentro de uma escola em Petrolina, afirmou que uma mulher que mantinha relacionamento com Marcelo da Silva, apontado como autor do crime, sabia da autoria desde os primeiros dias após o homicídio. De acordo com Lucinha, a informação consta em um primeiro depoimento prestado pela mulher à Polícia Civil, no qual ela teria relatado que o acusado confessou o crime a ela.
Segundo Lucinha Mota, a mulher foi identificada a partir de uma perícia telefônica realizada pela polícia, que analisou com quem Marcelo havia se comunicado na noite do assassinato. As investigações teriam mostrado que, após o crime, ele esteve com essa mulher em um bar, onde teria revelado ser o responsável pela morte da criança. Apesar de ser citada como namorada, Lucinha afirma que o relacionamento era extraconjugal.
Ainda conforme o relato da mãe de Beatriz, a mulher mudou a versão no segundo depoimento, alegando ter sido coagida a falar anteriormente. Lucinha afirma que, nesse momento, a mulher já estava acompanhada pelo advogado de defesa de Marcelo e teria sido orientada a voltar atrás. Por ter assinado um termo de responsabilidade, a ex-secretária diz não poder divulgar a identidade da depoente. Ela lamenta o fato de a informação não ter sido levada adiante à época, apesar da gravidade do crime.
O assassinato de Beatriz Angélica Mota ocorreu em setembro de 2015, durante uma festa de formatura em um colégio particular de Petrolina, e só teve Marcelo da Silva apontado como autor em janeiro de 2022, após exames de DNA na faca usada no crime. Marcelo chegou a confessar o homicídio, mas posteriormente apresentou uma carta alegando ter sido pressionado. Atualmente, a defesa tenta impedir o júri popular por meio de recurso no Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto Lucinha Mota afirma que pretende intensificar mobilizações em Brasília para cobrar o andamento definitivo do processo.


