Um levantamento aponta que 475,5 mil famílias do Recife tinham algum tipo de dívida no último mês de abril. A pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), recebeu um recorte local, feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Pernambuco (Fecomércio-PE). O dado representa 81,2% do percentual de famílias na capital – acima dos 80,9% registrados em março e dos 79,6% no mesmo período do ano passado.
A pesquisa também mostrou crescimento da inadimplência. A parcela de famílias com contas em atraso atingiu 27,4% em abril, frente aos 26,8% do mês anterior e 25,4% no mesmo período do ano passado. Já o percentual de famílias que declararam não ter condições de quitar os débitos em atraso chegou a 16,8%, permanecendo em um alto patamar na comparação anual.
Entre as modalidades de crédito, o cartão de crédito permaneceu como principal fonte de endividamento, citado por 89,1% das famílias endividadas. Em seguida apareceram os carnês de lojas (23,9%) e o financiamento de veículo (5,9%).
Para o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE, Bernardo Peixoto, o cenário exige atenção para a capacidade de consumo das famílias. “Os dados mostram que o crédito continua presente na rotina do consumidor, especialmente por meio do cartão de crédito. Ao mesmo tempo, o avanço das contas em atraso alerta uma maior pressão sobre o orçamento”, afirmou.
A pesquisa indicou ainda que 54% das famílias com contas em atraso convivem com débitos vencidos há mais de 90 dias, sendo o tempo médio de atraso de 70 dias. Além disso, o comprometimento médio da renda com dívidas permaneceu em 30,1% da renda familiar mensal.
Segundo o economista da Fecomércio-PE, Rafael Lima, o aumento do endividamento aponta tanto o uso recorrente do crédito quanto a necessidade de recomposição do orçamento das famílias.
“Parte relevante das famílias têm recorrido ao crédito para manutenção do consumo e reorganização financeira. Contudo, o avanço da inadimplência e o crescimento do número de consumidores sem condições de pagamento mostram um ambiente de maior restrição financeira, sobretudo entre os grupos de menor renda”, avaliou.


