Feminicídios: A importância dos dados atualizados de violência contra a Mulher

De acordo com socióloga, a falta de dados atualizados pode prejudicar a execução de políticas públicas

Nesta série de reportagens, vimos que a segurança pública é feita de números, mas também de escolhas. De um lado, temos a realidade das ruas monitoradas pela sociedade civil; de outro, uma estatística oficial que só se move quando o inquérito permite. Mas o que acontece quando uma mulher é morta e o sistema demora a dar nome ao crime?

Feminicídios: A importância dos dados atualizados de violência contra a Mulher – Maria Luna by CBN Recife
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A socióloga Ana Paula Portella, aponta que a falta de dados atualizados, como características dos crimes, por exemplo, prejudica a execução de políticas públicas, especialmente em dois aspectos. “Qual é a magnitude do problema? Ou seja, quantos feminicídios ocorrem num determinado território, numa determinada área e qual é a proporção que esses feminicídios representam no total de crimes, indicando a sua importância. Além disso, a classificação correta dos crimes permite que a gente entenda as dinâmicas locais desses crimes. Então, esses crimes eles seriam rurais, são urbanos, as vítimas são jovens, são idosas, existe relação desses crimes com a criminalidade, por exemplo, existe diferença de idade entre o casal e é isso que vai permitir o refinamento das políticas garantindo-lhes uma maior eficácia”, argumenta.

Ana Paula Portella, socióloga – Foto/Arquivo Pessoal

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Os dados da violência armada em Pernambuco são divulgados no 15º dia do mês subsequente, enquanto o monitoramento de entidades da sociedade civil, como o Instituto Fogo Cruzado, são atualizados em tempo real. No entanto, a realidade das ruas exige uma urgência que não pode esperar para o próximo trimestre. Ana Paula Portella avalia esse contexto. “Qualquer governo ele precisa entender qual é o contexto que ele está governando. Os governantes precisam compreender as situações que a população vive e a gente compreende essas situações produzindo dados precisos, transparentes, atualizados e portanto confiáveis, né? E esses dados também permitem que a gente explique as dinâmicas sociais que produzem os problemas que os governos devem enfrentar e resolver. Então esses dados são essenciais e no campo da criminalidade e no campo da violência são mais essenciais ainda porque colocam a vida das pessoas em risco”, afirma.

Hoje, Pernambuco parece ter o desafio de tornar seus dados tão ágeis quanto a necessidade de proteção de suas cidadãs. Porque enquanto o sistema processa no papel, o tempo, para muitas, já se esgotou.

Vítimas de violência podem acionar a Central de Atendimento à Mulher pelo 180, serviço telefônico que funciona 24h por dia, todos os dias da semana.

Com edição de Daniele Monteiro e sonorização de Lucas Barbosa, reportagem Maria Luna.

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